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Por André Eduardo Ruschel à Epic Play —

Caso esteja, você leitor, acostumado a ler minhas análises de jogos de videogame, já adianto que desta vez será um pouco diferente. Minha meta aqui é expor a experiência que tive ao assistir esta primeira temporada do “remake” de Os Cavaleiros do Zodíaco que estreou na última sexta-feira no serviço de streaming Netflix. A opinião será de alguém que é fã da série clássica e que assistia, em 1994, com oito anos de idade, diariamente ao fim da tarde seu “desenho” favorito na extinta TV Manchete. Então, já digo que meu julgamento estará baseado na nostalgia da infância, apesar de sempre evitar isto em minhas avaliações. Espero que apreciem este novo formato de escrita rápida e sem maiores pesquisas em bastidores e contextos mercadológicos.

A turma reunida, mas um pouco diferente.

Tratando-se do enredo de nosso querido anime, irei evitar spoliers envolvendo momentos 100% inéditos que foram incluídos nesta nova produção, porém irei tratar de detalhes já presentes no anime clássico e mangá original. Pois então, fiquei avisados os “marinheiros de primeiro meteoro de pégasos”, haverá bastante coisa relevante para a trama no texto a seguir.

A abertura de Os Cavaleiros do Zodíaco Netflix ficou muito boa.

A trama em si teve bastante liberdade criativa, acrescentando personagens e conflitos inéditos dentro do enredo, o que acredito ter sido um fator bastante positivo, uma vez que não faria sentido assistimos novamente aquilo que já conhecemos. Ainda assim, a base de tudo é bastante semelhante ao clássico e abaixo vemos o trailer que explica rapidamente o pano de fundo da obra.

Falando em liberdade criativa, aquilo que mais salta a vista aos olhos dos fãs clássicos foi a alteração do gênero de Shun de Andrômeda, que originalmente era do sexo masculino, passando a ser do feminino, não sei exatamente os motivos disto, mas imagino que um personagem andrógeno poderia, de certa forma, gerar alguma polêmica que o Netflix decidiu por evitar, o que podemos compreender, considerando como o “mundo” ficou mais sensível nos últimos anos. Confesso que é estranho se acostumar com isso, mas não é nada que nos faça desistir de acompanhar a série.

Pode ser estranho, mas nos acostumaremos logo.

O mais importante deste Os Cavaleiros do Zodíaco seriam os seguintes pontos:

 

1) O nível de violência que todos conhecemos de Cavaleiros do Zodíaco foi consideravelmente diminuído – Assim sendo, aquilo que atraiam as crianças dos anos 90 acostumadas com Perna-Longa e Pica-Pau, está bastante diferente. Lembro do choque que foi ver Cassius com a orelha cortada em com os braços banhados em sangue gemendo de dores perante a humilhação de ser derrotado. Neste “remake” quase não há sangue e a orelha do Cassius continua na cabeça dele. Sem dúvidas o objetivo da produção foi deixar seu conteúdo mais familiar. Assim sendo, podemos quase desconsiderar futuros momentos ícones da série envolvendo Shiryu, como cegando-se contra Algol de Perseus ou decepando fora o braço de Shura de Capricórnio;

A orelha de Cassius, como podemos ver, não está mais no chão.

2) O humor foi bastante acentuado – A série clássica tinha poucos momentos bem humorados, inclusive muitos o consideram um anime bastante melancólico, em que os personagens passam por constante sofrimento e poucos momentos felizes. Nesta nova versão tudo tem um clima diferenciado e descontraído, os personagens e situações trazem um conteúdo mais leve e que realmente é capaz de retirar uma risadas daqueles que estão assistindo. Isto se deu principalmente pelo trabalho de dublagem que usou e até abusou de populares memes brasileiros. Ou seja, vocês irão ouvir coisas como: “você é o bichão mesmo” ou “sabe de nada inocente”. Pode ser mais irritante para os puristas, mas ouvir nossos queridos dubladores, com seus personagens, em um ambiente assim foi ao menos interessante;

3) A enredo foi baseado principalmente no mangá – Alguém reclamar em liberdade criativa aqui é até curioso, visto que o anime clássico também abusou disto na época. Este “remake” utiliza elementos do mangá que foram ignorados na antiga série, como Shaka ter sido enviado para a Ilha da Raínha da Morte após Fênix adquirir sua armadura, ou Aiolia assistir Seiya conquistando a armadura de Pégasus. Detalhes interessantes de serem percebidos por aqueles que acompanham a série de ambas formas. Apesar disto, elementos do anime formam aproveitados, como o fato do senhor Kido não ser pai de centenas de crianças, ainda bem;

Percebemos a presença dos Cavaleiros de Ouro deste o início nesta versão. Diferente da clássica que os trazia mais futuramente à trama.

4) A incrível trilha sonora não está presente – Aos meus olhos, a melhor qualidade presente na série clássica de Cavaleiros, era sua trilha sonora sem igual, ousando aqui até mesmo dizer, de forma bastante subjetiva, que as músicas deste anime são as melhores que já tive o prazer de ouvir. Quem não lembra dos temas de Hyoga, ou da clássica ressurreição de Ikki. Apesar de que as que estão presentes não decepcionam, ainda assim isto é um ponto negativo. Falando nisto, a nova versão da abertura está incrível, assim como sua edição de imagens também, nisto apenas tenho que dizer, meus parabéns. Abaixo segue a mesma.

5) Os “gráficos” do anime – Muitos reclamaram da qualidade da animação na época de seu desenvolvimento e, apesar de estranhar em alguns momentos, é realmente rica em detalhes. A qualidade dos efeitos de luz e sombras está incrível, assim como em determinadas paisagens apresentadas. Um destaque que dou é a máscara do Cavaleiro do Diabo (mestre de Ikki), nela podemos ver pequenas rachaduras, sombras, áreas mais iluminadas e outros. Não há o que falar da qualidade de produção aqui, apenas compreender a clara repulsa que alguns fãs tem de presenciar algo tão diferente daquilo que estavam acostumados há mais de 20 anos. Por sinal, os efeitos das “magias” estão incríveis, um tremendo deleite;

Escutar um Cólera do Dragão com estas novas animações é legal, sim.

6) A dublagem está ótima – Apesar de alguns poderem não gostar da parte humorada presente na dublagem, ela é o que dá maior vontade dos fãs clássicos quererem continuar assistindo a série até o seu final. Escutar Seiya e sua turma com os mesmos dubladores fazendo os mesmo papéis depois de tantos anos é uma bomba de nostalgia para os mais velhos. Infelizmente não podemos esperar a presença de todos, já que muitos profissionais da época já vieram a falecer, porém, os que ainda estão presentes fazem tudo com a determinação e carinho que estamos acostumados;

7) A duração da primeira temporada – Infelizmente foram disponibilizados apenas 6 episódios desta vez, o que, convenhamos, é pouco para um anime com tanto conteúdo para ser explorado. Nestas, aproximadamente, 2 horas de conteúdo percebemos o quanto a história será contada de forma resumida e breve, vale destacar que grande parte das batalhas já apresentadas foram decididas com um único golpe, o que pode gerar um anti-clímax para aqueles que gostam de animes recheados de ação.

O clima de resumão está presente nos, apenas, 6 episódios.

Algumas Observações Pessoais

Apesar de já ter relatado praticamente todos pontos positivos e negativos que presenciei na primeira temporada de Os Cavaleiros do Zodíaco, há alguns detalhes que gostaria de descrever: Como o melhor relacionamento envolvendo os personagens Mu e Dohko, o que é válido, visto serem os únicos que sabem do “golpe” dado por Saga no Santuário; A morte de Esmeralda ser claramente proposital pelo Cavaleiro do Diabo, digo isto pois na versão clássica deixava uma maior margem de interpretação para ter sido um acidente; Seika, aparentemente, ter poderes especiais, aumentando as chances dela ser Marin neste “remake”.

Só para agradar os mais veteranos em Os Cavaleiros do Zodíado.

Conclusão
Os Cavaleiros do Zodíaco da Netflix pode não ser aquele presente esperado por fãs da longa data da série, principalmente porque lutar contra a nostalgia da infância ser uma batalha praticamente impossível de ser vencida. Assim sendo, esta nova versão possui como principal objetivo trazer novos fãs para o anime, fazendo com que os pais de hoje assistam confortavelmente junto de seus filhos alguns episódios que lembram parte do passado da série. Aos que ainda não assistiram e possuem interesse, fica então a dica, façam de cabeça aberta, estejam dispostos a uma experiência diferente.
Bom
  • Boa liberdade criativa;
  • Dublagem clássica;
  • Acréscimo de cenas presentes apenas nos mangás.
Ruim
  • Poucos episódios;
  • Ausência de grande parte da trilha sonora original.
7.5
Habitual

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