User Rating: 7
Por André Eduardo Ruschel à Epic Play —

Astro Warrior é o típico jogo que costumo chamar de título de transição. Seus gráficos e trilha sonora já eram da terceira geração de consoles, mas sua profundidade e gameplay ainda estavam na época do Atari. Com chances de ser o começo de uma bela franquia do gênero shoot’em up para a SEGA, este game acabou ficando na história dos consoles, apenas, como um bom jogo e conhecido somente por aqueles amantes deste estilo conhecido, popularmente, como “navinha”.

Se acertarmos o primeiro destes inimigos todos morrem. Precisão recompensada.

Astro Warrior é um jogo do gênero shoot’em up, desenvolvido e publicado pela SEGA no ano de 1986 para o console Master System, chegando oficialmente em território brasileiro pela Tec Toy no ano de 1989.

Curiosidade: Quando Astro Warrior foi lançado no continente europeu e nos Estados Unidos, seu cartucho foi distribuído em coletâneas, chamadas “the combo cartridge”. Na Europa, Astro Warrior foi lançado junto de Pit Pot, enquanto nos Estados Unidos, junto de Hang-On. Infelizmente, nós brasileiros recebemos o jogo em sua forma simples.

Análise Técnica de Astro Warrior

O enredo do jogo está mais para um simples conceito. Aqui vou reproduzir as palavra do pequeno e limitado manual que vinha com a versão do jogo lançada pela nossa saudosa Tec Toy: “Um grupo de perigosos bandidos, denominado Forças Imperiais da Estrela do Diabo, avança no espaço a fim de invadir a nossa galáxia. Só existe uma esperança: você, o Astro Warrior, o invencível guerreiro dos astros. Você está no comando das Forças Aliadas, a bordo de sua nave Astro Raider, em uma audaciosa missão – atravessar uma tripla área de defesa, liquidar o adversário e, finalmente, apoderar-se da nave-mãe inimiga.” O que acharam?

O tiro em sua forma mais simples exige habilidade por parte do jogador.

Os gráficos de Astro Warrior são muito bons para a terceira geração de consoles a qual pertence, ficando muito a frente da maioria dos jogos deste gênero lançados para o concorrente NES (Nintendinho para nós brasileiros). Com detalhes, como grande quantidade de objetos sendo destruídos simultaneamente e chefes enormes, o jogo impressionava.

Os grandes chefes impressionavam na época.

Os power-ups do jogo aparecem passando no centro da tela e sua frequência surge de acordo com a pontuação que adquirimos destruindo inimigos e o cenário. Eles se dividem em três tipos. 1) Velocidade: servem apenas para aumentar a sensibilidade no controle da nave, é muito importante, pois o veículo é muito lento na velocidade padrão; 2) Tiro: aumentam a potência de nossos tiros, inicialmente passando para um triplo e em seguida para um laser duplo capaz de atravessar inimigos e escudos; 3) Ajudantes: os melhores, repetem nossos movimentos e tiros disparados, podemos “varrer” a tela quando conseguimos ficar com o melhor disparo e dois ajudantes, número máximo possível.

Os controles respondem muito bem aos comandos do jogador. Aqui, até mesmo fica uma dica: quando pegamos os power-ups de aumento de velocidade, muitas vezes nos descuidamos, deixando a nave rápida demais, o que a torna difícil de ser controlada. Sem dúvidas, isto foi colocado para que aqueles jogadores “fominhas” por itens aprendam a ter menos “olho grande”. A campanha pode ser jogada por dois players alternadamente.

O começo da segunda fase já mostra uma evolução da dificuldade.

Os chefes são umas das maiores qualidades de Astro Warrior, sendo bem grandes, tendo personalidade com nomes próprios e pontos fracos secundários que necessitam ser destruídos antes de seu núcleo principal. Outro destaque destas batalhas está no fato deles irem ao encontro de nossa nave caso levemos muito tempo para destruí-los, sendo impossível escapar, ou seja, não demore.

A campanha de Astro Warrior possui três fases: 1 – Galaxy Zone; 2 – Asteroid Zone e 3 – Nebula Zone. Estas etapas, depois de concluídas, retornam em forma de “loops”, ficando gradativamente mais difíceis a cada ciclo terminado. Esta característica remete ao conceito de jogo de transição que o game possui, uma vez que lembra bastante o estilo de vários títulos da segunda geração de consoles.

Potência máxima. Melhor tiro e com os dois ajudantes. Morrer assim dá uma tristeza…

A dificuldade é baixa quando comparado aos jogos deste mesmo gênero. No início, provavelmente o jogador terá complicações, porém, assim como ocorre em jogos deste estilo, após decorarmos os padrões dos comportamentos dos inimigos e os locais em que se localizam, tudo fica mais fácil. Assim, como de costume, perder os power-ups é algo muito complicado em Astro Warrior, sendo praticamente impossível, para alguém inexperiente, terminar o primeiro ciclo caso venha a perder uma vida a partir do início da terceira fase. Aqui fica uma dica: procure destruir tudo que for possível no início da partida, adquirindo o poder máximo rapidamente, e evitando deixar a nave excessivamente rápida. Após isso, busque aprender os pontos fracos dos inimigos.

A trilha sonora, apesar de poucas faixas, exerce bem seu objetivo, combinando com as fases às quais pertencem. Tranquila na primeira etapa, agitada na segunda e tensa na terceira. Os efeitos sonoros também são bons, não deixando nada a desejar.

Abaixo vemos a trilha sonora completa de Astro Warrior.

Curiosidade: Em 1996 a Tec Toy lançou no Brasil uma adaptação de Astro Warrior, trocando seu cenários, adversários e personagem. O nome do jogo passou a ser Sapo Xulé: S.O.S Lagoa Poluída. O espaço tornou-se uma lagoa poluída e os inimigos viraram lixo; como palitos de fósforo, sapatos e restos de alimentos. A trilha sonora, jogabilidade e o level design ficaram inalterados. O mais interessante de tudo isto é que esta versão foi posteriormente lançada em Portugal, sabe-se lá o motivo.

Nossa Conclusão

Realmente não há muitos motivos para se jogar Astro Warrior, nos dias de hoje, caso você não seja um amante da SEGA ou do gênero shoot’em up. Não há dúvidas que há muitos títulos deste mesmo gênero, bastante superiores, para serem testados em seu lugar. Porém, acredito que sua característica de dificuldade leve, campanha curta e ter sido bem produzido, fazem merecer alguns minutos de jogatina. Certamente a SEGA poderia ter dado uma maior atenção ao jogo e ao futuro da franquia, que teve um potencial pouco aproveitado.

Um bom jogo com potencial pouco aproveitado.

Avaliação: 7

Jogado no Master System

7
Habitual

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