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Por André Eduardo Ruschel à Epic Play —

Bayonetta surgiu em um momento no qual o gênero hack and slash estava em alta e mesmo com uma grande concorrência o título conseguiu se destacar, não somente pelo “design” da personagem, mas também pela grande qualidade que o game possuía naquilo que estava propondo. Com uma jogabilidade inovadora e repleta de referências que fazem os mais nostálgicos virarem seus fãs imediatamente, Cereza conseguiu seu posto dentro da indústria dos games por tempo indeterminado.

Se não bastasse, a Bayonetta não larga este pirulito.

Bayonetta é um jogo do gênero hack and slash, sendo desenvolvido pela Platinum Games e publicado pela SEGA, foi lançado inicialmente em 2009 e hoje encontra-se disponível nas seguintes plataformas: Xbox 360, Playstation 3, PC, Wii U e Nintendo Switch. Infelizmente, dentre as versões citadas, a de Playstation 3 não é recomendada devido a evidentes problemas, como taxas de frames inconsistente e problemas gráficos. A versão avaliada é a de Wii U.

Curiosidade: Bayonetta, além de ser um sucesso perante a crítica, também conseguiu atingir grandes números em suas vendas quando lançado. Caso considerarmos apenas suas versões para Playstation 3 e Xbox 360, há um total de 2.4 milhões de unidades vendidas, o que merece grandes créditos, principalmente por ser uma franquia estreante. Outro de seus grandes feitos foi conseguir a nota máxima (40/40) da prestigiada revista de games japonesa Famitsu.

Bastidores

Diretor Hideki Kamiya

Formada principalmente por dissidentes da Capcom, a Platinum Games começou os seus trabalhos em 2006. Logo em seu início, o estúdio necessitava de uma parceira para investir e publicar seus futuros jogos. Não foi muito difícil esta tarefa, tendo em vista o currículo dos membros deste novo time de desenvolvimento. Entre eles estavam, Yusuke Hashimoto, Atsushi Inaba, Shinji Mikami (conhecido pela franquia Resident Evil) e, principalmente, Hideki Kamiya (cabeça por trás de Devil May Cry).

A empresa visionária que percebeu que daquele time só poderiam sair sucessos foi a saudosa SEGA, que na ocasião firmou contrato para a criação de quatro novas propriedades intelectuais, as quais foram: Vanquish, Madworld, Infinite Space e principalmente nosso Bayonetta.

A ideia destes novos jogos era buscar pela maior originalidade e diversão possíveis, abrangendo um público que sabia do que seus criadores eram capazes de fazer e que certamente aprovariam suas novas aventuras. Com personagens pouco convencionais e sem maiores censuras por parte da publicadora, percebemos por que o “casamento” com a SEGA deu tão certo.

Claramente Bayonetta foi criada com o objetivo de superar Dante (Devil May Cry), antiga criação de Hideki Kamiya. O que não seria fácil, visto que o antigo personagem havia se tornado um sinônimo do gênero hack and slash na geração anterior. Para isto as metas de Kamya eram que a nova personagem fosse feminina, aparentasse ser moderna e utilizasse quatro armas, uma em cada membro.

O começo de mais uma incrível franquia do gênero hack and slash.

Muitos consideram que Bayonetta é uma mistura dos personagens que os membros da equipe haviam criado enquanto eram funcionários da Capcom. Assim sendo, a protagonista teria a personalidade forte e até arrogante de Dante, a bom humor de Joe (Viewtiful Joe) e a coragem e determinação presentes em Chris e Jill de Resident Evil. Segundo consta, seu nome veio da versatilidade existente na arma baioneta.

Curiosidades: Segundo consta, o estilo geek que Bayonetta possui é bastante proposital, principalmente com relação aos seus óculos.  Nas palavras do desenvolvedor Hideki Kamiya: “Para Bayonetta, seu óculos são como uma roupa de baixo: ela nunca deve ser vita sem eles”. 

Enredo

O enredo de Bayonetta envolve muitos acontecimento importantes que ocorreram antes do início de nosso gameplay. Vou ser breve e evitar maiores spoilers, de forma que não atrapalhe a futura experiência de jogo daqueles que ainda não tiveram a oportunidade de aproveitar este grande game.

No universo em que Bayonetta existe, há um confronto milenar entre duas grandes facções que possuem grandes poderes, os Lumen Sages, sendo estes os seguidores da luz, e as Umbra Witches, bruxas seguidoras da escuridão. O confronto entre eles gerava um equilíbrio no mundo, de forma que cada uma possuía uma das partes das joias de grande poder chamadas “Os Olhos do Mundo” (esquerdo e direito).

O passado de Bayonetta se mistura com de outros personagens.

Em um grande confronto entre os Lumen Sages, que utilizam os anjos como soldados, e as Umbras Witches, que utilizam demônios, ocorreu a extinção da maior parte de seus membros, restando poucos atualmente. Nos dias de hoje, os eventos ocorrem em uma cidade fictícia da Europa chamada Vigrid, e Bayonetta, cujo nome verdadeiro é Cereza, acorda de uma hibernação de 500 anos que a deixou completamente sem memória.

Com uma joia em seu peito, que Bayonetta desconhece sua função, e o aparecimento constante de anjos querendo matá-la, a protagonista sai em busca de respostas de seu passado e uma razão para todos eventos de seu tempo presente.

O gato de pelúcia da jovem Cereza remeta à Alice, aquela do País das Maravilhas.

Com cenários que remetem claramente à Divina Comédia de Dante Alighieri, Cereza pode viajar entre céu, purgatório e inferno durante sua grande aventura. Na qual enfrentará anjos e utilizará a ajuda de demônios para conseguir o que deseja.

Curiosidade: Para os fãs da SEGA e da CAPCOM, Bayonetta é realmente um prato cheio. Esta afirmação pode ser feita devido às inúmeras referências às franquias de ambas empresas. Caso prestar atenção durante o gameplay, poderá perceber a presença de rings de Sonic, musicas de Outrun, frases de Space Harrier (Welcome to my fantasy zone) e Devil May Cry (Let’s Rock Baby), coreografias de Okami e Space Chanell 5, entre outros.

Os rings de Sonic (Halos) são apenas uma das várias referências dentro da franquia Bayonetta.

Análise Técnica

Os gráficos de Bayonetta são satisfatórios para a época de seu lançamento, não estando entre os melhores de sua geração, mas cumprindo exatamente o que o jogo promete. Não tive acesso a muitos bugs durante a campanha, então realmente não há muito o que reclamar.

Batalhas intensas esperam aqueles que ainda não jogaram Bayonetta.

Bayonetta trata-se de um hack and slash típico em que devemos derrotar uma infinidade de inimigos em sequência e, através dos espólios destas batalhas, fazer a personagem evoluir seus atributos na loja conhecida com Gates of Hell. O interessante é que neste jogo há um grande número de momentos em que trechos, dignos de um bom jogo de plataforma, são intercalados com a pancadaria. Assim sendo, saber dar saltos precisos, fugir de lavas e desviar de pedras fazem parte de seu gameplay. Outro fator de destaque está na possibilidade de Cereza se transformar em pantera, o que aumenta, e muito, sua velocidade de deslocamento.

A plasticidade existente nas batalhas é um dos maiores destaques do jogo.

Bayonetta é uma personagem bela, com personalidade forte e independente. Suas movimentações, além de suaves, sempre, buscam dar ênfase em sua sensualidade. Isto chega a ser uma marca forte da protagonista que aparentemente está posando para uma fotografia a todo momento. Por mais que alguns possam considerar este comportamento sexista, ele também ajuda a compor a imagem de Cereza, o que realmente lembra os tempos mais ousados da SEGA no mercado dos games. Vale lembrar aqui que no jogo estamos do lado das trevas, e não dos anjos como imaginaríamos em um primeiro momento.

Bayonetta consegue ser sensual todo o tempo, todo mesmo.

A jogabilidade em Bayonetta é ótima, não deixando nada a desejar quando comparado com outros jogos de seu gênero. Um destaque um tanto inovador está na criação de combos com a personagem, em que na maioria dos casos não basta o simples ‘esmagar’ de botões em uma determinada ordem, necessitando, algumas vezes, haver uma pequena ‘parada’ durante suas realizações. Apesar de isto parecer pouco, exige uma grande coordenação por parte dos jogadores durante o gameplay, ocasionando um ritmo um tanto inédito nas batalhas de jogos deste estilo.

O bartender do Gates of Hell, Rodin, é quem vende os armamentos da protagonista.

O fator replay do jogo é baixo, de forma que a principal razão de se jogar uma segunda partida se dará em função de tentar adquirir os itens que não tivemos acesso anteriormente. A dificuldade do título é mediana quando comparada com outros jogos de seu tempo, mas ainda um pouco superior aos demais de seu gênero. O tempo de campanha é de aproximadamente 10 horas quando jogado pela primeira vez, isto caso o jogador morra algumas vezes, explore o cenário e assista as cenas calmamente.

A roupa de Bayonetta vem de seu próprio cabelo e ela precisa dele, também, para conjurar os demônios ajudantes.

A diversão de se jogar Bayonetta é muito grande, principalmente se o jogador gostar do estilo exagerado e um tanto “sem noção” presente durante toda sua campanha. O título apresenta cenas bem humoradas com uma grande frequência, mesmo durante a ação frenética que compõe seu gameplay. Caso aquele que ainda não tenha jogado seja fã do gênero hack and slash, pode ter certeza, a satisfação é garantida.

Chefes gigantescos fazem parte do universo do game.

A trilha sonora de Bayonetta, além de ótima, possui 150 faixas e foi assinada por nove compositores, sendo eles: Hiroshi Yamaguchi, Masami Ueda, Rei Kondoh, Takayasu Sodeoka, Norihiko Hibino, Takahiro Izutani, Yoshitaka Suzuki, Erina Niwa, e Naoto Tanaka. Tudo nas músicas combinam perfeitamente com o que é representado durante o gameplay, executado bem a sua função. Assim como os efeitos sonoros, com ótimas dublagens e sons emitidos pelo inimigos e armas.

Curiosidade: Uma sacada genial dos desenvolvedores foi adotar o alfabeto enoquiano para a linguagem dos anjos e nas falas ditas pelas bruxas durante a execução de seus feitiços. Aos que não conhecem, trata-se de uma língua criada no final do século XVI e que, segundo consta, é utilizada pelos anjos e por aqueles que tiveram contatos eles. Seu principal criador, John Dee, acreditava que este era o idioma usado no paraíso no início dos tempos. O nome enoquiano vem de Henoc, ancestral de Noé, que acreditavam ser o último conhecedor desta linguagem no tempos antigos.

 

Uma imagem do alfabeto enoquiano.

Bestiário

Apesar de se tratar da estreia da franquia, em Bayonetta já temos contato com uma grande variedade de inimigos. O interessante é que, além de serem ricos em detalhes, vários costumam deixar suas armas para serem aproveitadas durante nossas lutas seguintes. Estes adversários celestiais são divididos hierarquicamente, aqui chamado em esferas, sendo os de primeira classe os mais fortes e os terceira, mais fracos. Abaixo vamos conferir dois exemplares da terceira esfera, um da segunda e mais um chefe. Assim evitaremos maiores spoilers.

  • Affinity (Terceira Esfera): São os inimigos mais comuns do jogo. Costumam andar em grandes bandos, sendo esta sua única vantagem durante uma batalha. Como arma utilizam uma lança, mas para derrotá-lo basta o cuidado de não estar cercado por vários de seu tipo. Dizem que estes são os anjos que alguns humanos já tiveram contato em outras eras.

Affinity (Terceira Esfera)

  • Enchant (Terceira Esfera): Os Encantadores, possuem a forma de uma roda de carroça e assim como os Affinitys, não geram maiores dores de cabeça durante a aventura. Seu perigo maior está na sua velocidade e na capacidade de dividir-se em dois durantes os ataques. Podem locomover-se nas paredes e tetos, assim como atingir a protagonista à distância. Bayonetta pode utilizá-los como armas antes de serem mortos, o que é de grande ajuda. Segundo consta, suas funções no paraíso correspondem a de impedir a entrada de invasores e ajudar nas comunicações.

Enchant (Terceira Esfera)

  • Beloved (Segunda Esfera): Já no primeiro capítulo de Bayonetta devemos enfrentar este enorme inimigo. Donos de uma grande resistência e fortes o suficiente para usarem armas de grande impacto. Sua função dentro do jogo é a de mini-chefe inicialmente, reaparecendo com grande frequência próximo do final da aventura. Sua desvantagem está em sua baixa velocidade e em seu ponto fraco exposto em suas costas. Dentro da mitologia do jogo os Beloveds (Amados) são aqueles que guardam os segredos do céu.

Beloved (Segunda Esfera)

  • Fortitudo: Um dos grandes nomes dentro do Paraíso. Fortitudo é um dragão gigantesco de duas cabeças capaz de dar alguma dor de cabeça até conseguirmos vencê-lo. Marcas de sua presença são seu rosto invertido e falar um pouco demais. Além de sua grande força, também utiliza de fogo como sua principal arma à distância. Na mitologia seu design pode ser visto como um cruzamento entre um Querubim (que tem as faces de vários animais) e um Serafim (que são anjos dracônicos).

Fortitudo

Curiosidade: Em 2014 foi lançado a sequência, Bayonetta 2, que deixou todos surpresos ao ser revelado como um exclusivo de Wii U. Basicamente isto se deu pelo fato da Nintendo investir fortemente na franquia. Segundo o diretor Atsushi Inaba, o jogo jamais teria existido sem o apoio da empresa. Este título foi muito bem recebido pela crítica e continua sendo um dos mais bem avaliados da geração até o dia de hoje. Porém, isto é assunto para uma outra análise.

Jogado no Wii U

Conclusão
Hideki Kamiya teve a difícil missão de superar um trabalho que ele mesmo havia criado em seus tempo de Capcom. Independente de Bayonetta ter conseguido, ou não, se sair melhor que Dante, a única certeza que temos é que mais uma franquia de grande qualidade do gênero hack and slash apareceu no mercado para a alegria dos seus fãs.
Bom
  • Trilha sonora ótima e original;
  • Bons gráficos;
  • Jogabilidade inovadora dentro de seu gênero.
Ruim
  • Baixo fator replay.
9
Incrível

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