Por Gustavo Alves à Epic Play —

Pokémon Sword & Shield foi um título que teve uma boa recepção por parte dos fãs, tanto após o anúncio inicial, quanto após o Pokémon Direct que ocorreu no começo de junho.

Porém, após a E3, a situação mudou drasticamente. Pokémon é uma franquia que já tem um histórico de ter uma fanbase dividida, mas desta vez, parece que grande parte dos fãs se uniu para expressar o descontentamento com o jogo, com uma repercussão negativa nunca antes vista na história da série.

Mas o que exatamente aconteceu? Para entender, é preciso olhar alguns detalhes revelados na Nintendo Treehouse, livestream da Nintendo que mostra mais gameplay de alguns jogos anunciados, incluindo Pokémon Sword and Shield, enquanto conversa com desenvolvedores.

Uma olhada nos dislikes do vídeo já diz bastante…  

Ausência da National Dex

Pela primeira vez na história da franquia, teremos um jogo da série principal de Pokémon que não terá um modo de ter todos os monstrinhos existentes no jogo. Não só isso, como também a Game Freak pretende continuar fazendo isso em jogos futuros.

Não se trata de uma situação em que é possível obtê-los por troca, ou uma situação similar a Pokémon X, Y, Sun e Moon, onde era possível transferir Pokémon de jogos anteriores por meio do aplicativo Pokémon Bank, que só foi liberado para uso nestes jogos alguns meses após seus lançamentos. Os Pokémon que não estão na Galar Dex literalmente não estão programados no jogo.

Faça um bolão com seus amigos, quem acertar mais Pokémon que vão estar no jogo ganha um refri

É justo dizer que foi essa a notícia que causou a maior repercussão e gerou todas as outras reclamações, tirando dos jogadores o otimismo anterior e chamando atenção para outros aspectos negativos do jogo.

O principal argumento dos fãs contra essa decisão é o fato do Nintendo Switch ser um console bem mais potente que o Nintendo 3ds, que já aguentava mais de 800 modelos diferentes nos jogos anteriores. Apesar de nem todos os Pokémon serem capturáveis nas regiões dos jogos em questão, todos sempre estiveram programados no jogo, podendo ser obtidos por meio de transferências.

A Game Freak afirmou que os Pokémon cortados aparecerão em títulos futuros, e já que agora eles têm Pokémon para programar, eles podem se focar nas animações dos Pokémon existentes no jogo. Porém, isso nos leva ao próximo ponto.

Animações simples

Desde a sexta geração, com Pokémon X & Y, a franquia vem reaproveitando os mesmos modelos e animações. Nem todas as animações eram perfeitas, mas não era a causa de muitas reclamações, já que animar centenas de modelos diferentes é uma tarefa árdua para qualquer desenvolvedora.

Os modelos parecem ter sido feitos com esse propósito de serem reutilizáveis, já que a qualidade deles é tão boa que eles não parecem antiquados até mesmo em consoles de última geração, como foi provado nos jogos Pokémon Let’s Go!.

Mas, quando um novo jogo surge, eles animam apenas os novos monstrinhos, sem precisar alterar os anteriores. E aí que está o problema. Se eles precisam animar apenas os novos Pokémon de Galar, por que cortar os outros Pokémon cujas animações já estão prontas desde 2013?

O modo em que se usa essas animações também é importante, como provado nesses Wingulls que simplesmente flutuam a 1 metro do chão

Claro, se fosse haver um polimento nas animações existentes e adição de novas animações, isso seria compreensível. Porém, não só as animações dos Pokémon antigos continuam idênticas, como as animações dos novos Pokémon estão igualmente simples.

Belo chute(?), Scorbunny

Isso não seria um problema tão grande caso não tivessem cortado a National Dex, o que causou toda essa bola de neve. Mas não foram apenas os Pokémon que foram cortados.

Ausência de Mega Evoluções

Pokémon Sword and Shield não terão Z Moves ou Mega Evoluções, para favorecer o novo elemento de gameplay: Dynamax.

O primeiro corte é até aceitável, pois os Z Moves tiveram recepção mista, e, especialmente, pois eles não alteram nenhum Pokémon. Mas cortar as Mega Evoluções tira totalmente parte do propósito delas: favorecer monstrinhos que não eram tão fortes normalmente, como Mawile e Ampharos.

Além do mais, os fãs enxergavam as Mega Evoluções não como um mero elemento temporário de gameplay, mas como um upgrade necessário e permanente a vários Pokémon. E até a Game Freak parecia enxergar isso, já que, apesar de elas não estarem presentes na história principal dos jogos Pokémon Sun e Moon, as Mega Evoluções ainda eram acessíveis no pós-jogo.

A justificativa da Game Freak sobre os cortes foi que com Dynamax, todo Pokémon pode ficar mais forte. Mas se todos podem ficar mais fortes da mesma maneira, não continua sendo mais vantajoso usar aqueles que já eram mais fortes antes?

Mas as reclamações não se restringem apenas às mecânicas do jogo.

Gráficos antiquados

Após uma maior inspeção, os gráficos de Pokémon Sword and Shield deixam muito a desejar aos olhos dos fãs. Claro, a ambientação do jogo foi bem recebida, e há muitas coisas boas, mas há alguns detalhes que não deviam escapar em um jogo desse porte.

Vale lembrar que Breath of the Wild tecnicamente é um jogo de Wii U, e parece melhor que Pokémon

Para começo de conversa, os gráficos do jogo deixam a desejar em algumas áreas, especialmente se comparado a outros jogos de mundo aberto do Nintendo Switch, como Xenoblade Chronicles 2, The Legend of Zelda: Breath of The Wild e Dragon Quest XI. Pokémon ainda tem a vantagem de toda a “ação” ser realizada em cenários separados, que são carregados a cada nova batalha.

Vale lembrar que Ocarina of Time é um jogo do NINTENDO 64.

O detalhe que talvez tenha chamado a maior atenção são as árvores do jogo: não só elas parecem ter vindo do Nintendo 64, como também há árvores de berries que destoam totalmente do ambiente do jogo, indo além de apenas “se destacar”.

Essa árvore e as árvores do fundo combinam tão bem quanto feijão e ketchup

Mas há outro aspecto visual que incomodou.

Falta de polimento

Não só os gráficos não agradaram aos fãs, mas há alguns bugs e descasos num geral que incomodaram quem viu à gameplay do jogo.

Acredite ou não, era para ter um Steelix no lado direito da tela

Há muitos casos de objetos simplesmente surgindo no cenário. Exemplos disso são um muro, cuja parte inferior está claramente visível acima do chão, e os pneus da bicicleta que pode ser usada pelo protagonista, que “afundam” no chão ao subir em rampas.

Tecnologia de Galar já permite muros flutuantes

“Descaso” da Game Freak

Por mais que o ápice das reclamações tenha sido agora, isso foi o resultado de vários anos onde os fãs iam lentamente ficando mais insatisfeito com as decisões da Game Freak quanto aos jogos da franquia, grande parte delas sendo feitas por Masuda, que dirigiu boa parte dos jogos até então. As reclamações mais comuns surgiram em 2013, com Pokémon X e Y, e incluem:

  • Casualização dos jogos, sob a justificativa de que crianças não passam mais muito tempo jogando de uma vez só
  • Excesso de tutoriais não-puláveis, evidente especialmente nos jogos que se passam em Alola
  • Falta de pós-jogo especialmente Pokémon X e Y
  • Outros elementos descartados de Pokémon X e Y, como uma cidade inútil e a ausência de foco no lendário Zygarde, que foi “empurrado” para a geração seguinte
  • Corte da Battle Frontier dos jogos Pokémon Omega Ruby e Alpha Sapphire
  • Ausência de dificuldade nos jogos, sob a justificativa de que a dificuldade está nas batalhas online (o que não leva em consideração quem prefere o modo single player)
  • Excesso de foco nos Pokémon da primeira geração, evidente especialmente nos jogos Let’s Go
  • Vender produtos que tem muito pouco a adicionar em relação aos originais, como os jogos Pokémon Ultra Sun e Ultra Moon

Voltando aos problemas especificamente referentes a Pokémon Sword & Shield, há alguns que não podem ser mostrados apenas com imagens, então o vídeo abaixo ilustra melhor alguns dos erros (…só abaixem o volume, por favor):

O mais interessante é que grande parte das reclamações não são de pessoas declarando seu ódio pela franquia, mas sim de fãs que querem um produto melhor, e consideram que a franquia está sendo injustiçada e não está vivendo todo o seu potencial, ainda mais considerando que Pokémon é uma marca imensa que certamente tem os recursos para fazer um produto de melhor qualidade.

A solução? Os fãs propõe que o jogo seja atrasado, pois não há como atender a todas essas demandas até o lançamento do jogo em novembro. A maior esperança dos fãs é que elas sejam reconhecidas e atendidas, já que Super Mario Maker 2, que também teve reclamações sobre um elemento do jogo, consertará o problema em questão, e contou com transparência por parte dos desenvolvedores, algo que Pokémon raramente teve.

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