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Por André Eduardo Ruschel à Epic Play —

Gears of War surgiu em um momento em que todos esperavam por um grande jogo de ação, enredo de ficção científica e tiro em terceira pessoa. Seus gráficos eram incríveis para o período e fizeram muitos escolherem o Xbox 360 como a plataforma que levariam no coração durante a sexta geração dos consoles. Uma campanha de muita ação, com variedade de inimigos e possibilidade de ser jogada em multiplayer, fizeram este ser o primeiro capítulo de uma franquia de sucesso que se estende até os dias de hoje.

Comparações entre as verões original e a remasterizada para Xbox One.

Gears of War é um jogo de ação do gênero third person shooter (tiro em terceira pessoa), produzido pela Epic Games e publicado pela Microsoft Game Studios, lançado originalmente para Xbox 360 em 7 de novembro de 2006. Recebeu uma conversão no ano seguinte para Microsoft Windows e, mais recentemente em 2015, uma remasterização para Xbox One chamada Gears of War Ultimate Edition. Esta análise corresponde a esta última versão de 2015.

Abaixo vemos o trailer de Gears of War Ultimate Edition.

Bastidores de Gears of War

O designer Cliff Bleszinski (CliffB)

Gears of War possui muitos nomes como referências, mas o principal usado quando a marca é lembrada é Cliff Bleszinski (CliffB), um designer de jogos americanos que nasceu em 1975. Considerado por muitos um prodígio em sua área, devido ao seu começo precoce nos ramos dos games, teve seu primeiro jogo produzido quando tinha apenas 15 anos de idade, tratava-se de The Palace of Deceit, título de aventura programado em Visual Basic.

Sua carreira na Epic Games estreou em 1992, depois de trabalhar em uma série de jogos que tiveram vendas pouco expressivas, começou no projeto que viria a ser o famoso Unreal e sua continuação Unreal Tournament. A partir daí seu maior sucesso passou a ser sua participação como designer chefe na trilogia original da franquia Gears of War. Segundo Cliff, inicialmente, Gears seria um jogo em primeira pessoa do universo de Unreal, porém, após ter contato com os jogos Kill Switch da Namco e Resident Evil 4 da Capcom, ambos em terceira pessoa, o jogo mudou para este primeiro título da franquia que aqui avaliamos.

Em 2012 Cliff anunciou sua saída da Epic Games, informando que não tinha mais interesses em trabalhar com jogos, porém, em 2014, o designer inaugurou seu próprio estúdio, chamado Boss Key Productions, que após uma série de jogos com vendas fracas veio a fechar no ano de 2018.

A Lancer é a arma símbolo de Gears of War. Usá-la, realmente, é tão divertido quanto parece.

Curiosidade 1: Em 1988, Cliff Bleszinski, com 13 anos de idade, teve a honra de estampar as páginas da primeira edição da revista Nintendo Power americana. Isto ocorreu devido a sua proeza de atingir a pontuação de 9.999.950 em Super Mario Bros. Segundo Cliff, em uma entrevista à revista Rolling Stone, ele disse: “Esse foi provavelmente um dos momentos em que percebi, profunda e inconscientemente, que queria ser um nome nesse negócio de videogames.” Outra de suas conquistas, na área, se deu quando aos 15 anos disputou a famosa competição Nintendo World Championships, na qual ficou em segundo lugar.

Enredo de Gears of War

Alerta de spoilers, porém referente apenas aos eventos ocorridos anteriormente ao começo da campanha de Gears of War.

Em um futuro distante, não informado exatamente, os seres humanos começaram a colonizar outros planetas; um deles chama-se Sera. Após algum tempo de exploração dos recursos naturais do local, foi encontrado um líquido diferenciado jamais estudado: chamava-se Imulsion, funcionando como um novo combustível capaz de gerar uma quantidade enorme de energia, sendo esta barata e eficiente. Não demorou para os povos de Sera começarem a entrar em conflito pelo domínio desta nova e promissora riqueza.

O Martelo da Aurora foi usado contra os próprios humanos na tentativa de abater os Locusts.

Os países que possuíam Imulsion em abundância formaram o COG (Coalition of Ordered Governments – Coalizão dos Governos Ordenados), e aqueles que o possuíam em pouca quantidade criaram a UIR (Union of Independend Republics – União das Repúblicas Independentes). Esta crise acabou gerando uma guerra chamada Pendulum War, que durou quase 80 anos, tendo a vitória dos COG e gerando a devastação de Sera.

A vitória dos COG se deu após o domínio de uma nova arma chamada de Hammer of Dawn (Martelo da Aurora na tradução do jogo). Este equipamento trata-se um incrível canhão orbital capaz de devastar cidades em segundos. Aquele que recebeu os créditos pela invenção foi o Dr. Adam Fenix, porém, aqueles que haviam começado seu projeto foram os cientistas da UIR.

Cenários devastados são uma constante na franquia Gears of War.

Após um breve período de paz, ocorreu o que nenhum humano esperava, o Emergence Day (Dia da Emergência). Trata-se de um ataque surpresa realizado por uma espécie inteligente que habitava o interior do planeta Sera. Estes seres são chamados de Locusts e, em um período inferior a 24hrs, foram capazes de exterminar mais de 90% da população existente no planeta. Os humanos não tiveram outra opção além de usar o Martelo da Aurora contra as cidades que estavam sendo atacadas pelos invasores, matando, assim, boa parte dos sobreviventes da Pendulum War.

Neste cenário começou uma guerra contra esta raça alienígena. A força dos humanos se concentram nos Gears, sendo estes o exército dos COGs. Entre seus oficiais, um se destacava, chamava-se Marcus Fenix. Porém, tudo mudou quando Marcus abandonou seu posto na tentativa de salvar seu pai, desobedecendo, assim, ordens de seus superiores. Após ser julgado por deserção, Fenix é preso por 14 anos. Aqui começa a campanha de Gears of War.

A utilização do Junker contribui para um gameplay variado durante a campanha.

Certo dia o melhor amigo de Marcus chega até a prisão para resgatá-lo. Tratava-se de Dominic Santiago (DOM), pedindo ajuda para uma missão que poderia, de uma vez por todas, por um fim na guerra contra os Locusts.

Análise Técnica

Os gráficos de Gears of War eram inacreditáveis para o ano de seu lançamento em 2006. Sem dúvidas davam motivos para um consumidor querer adquirir um Xbox 360. A remasterização de 2015, também, foi muito bem retrabalhada, sendo uma versão digna para a nova geração dos consoles.

Os controles do jogo respondem muito bem durante os combates. Algumas pessoas reclamam da câmera que balança enquanto o personagem está correndo, mas isto não é nada que atrapalhe durante a aventura. Aqui devemos dar destaque para o sistema de “cover”, em que os personagens buscam ficar abrigados durante os “tiroteios” típicos das campanhas de Gears of War. Alguns jogos já haviam ensaiado este sistema, mas aqui ele foi aperfeiçoado e passou a se tornar referência em jogos deste gênero.

Câmera sobre o ombro, herança de Resident Evil 4.

Durante a campanha não ficamos apenas no típico massacre de inimigos, havendo momentos em que utilizamos veículos e prosseguimos sobre trilhos, porém, ainda assim, muitos podem considerar Gears of War um jogo cansativo devido à quantidade de adversários que matamos quase ininterruptamente.

A energia, quando somos atingidos, se recupera através do “recover”, sistema em que basta ficarmos alguns segundos sem sofrermos danos, que nos auto regeneramos. Este estilo moderno de recuperação caiu muito bem com a ação rápida que Gears of War possui. Quando caímos devido à grande quantidade de dano que sofremos, não morremos imediatamente, assim, pedimos ajuda para nossos companheiros e eles podem nos levantar.

Uma das mecânicas diferenciadas de Gears of War está no carregamento das armas. Aqui surge um momento exato em que devemos apertar o botão de recarregar uma segunda vez, para que, assim, sejamos recompensados com um pente especial que possui maior capacidade ou balas com maior dano. Caso venhamos a errar este momento certo, demora um pouco mais para ocorrer o carregamento da arma.

O sistema de cobertura (cover) ficou imortalizado em Gears of War e passou a ser típico em jogos do gênero.

Durante a campanha, em regra, andamos em uma equipe com quatro combatentes, sendo que a inteligência artificial deles não é das melhores, mas, ainda assim, mais ajudam do que atrapalham. Quando eles caem devidos aos danos sofridos, muitas vezes somos nós jogadores que devemos levantá-los. Durante o combate eles acertam alguns tiros nos inimigos, mas a maior ajuda deles é quando caímos e necessitamos de ajuda para prosseguir no jogo.

A dificuldade de Gears é baixa. Você morrerá muitas vezes, mas os checkpoints são próximos e logo após as mortes já descobrimos com os erros a melhor forma de passar pelas ameaças. Durante o jogo temos alguns momentos em que podemos escolher entre ir pelo caminho da esquerda ou da direita. Isto ajuda para o fator replay, quando resolvermos jogar uma segunda vez, podemos conhecer ambientes que ainda não vimos. O tempo de campanha possui menos de 10 horas quando jogado pela primeira vez e se estende um pouco caso estivermos procurando os diversos colecionáveis presentes pelos cenários.

Multiplayer em tela local é dos diferenciais de Gears of War. É diversão na certa.

Entre as novidades desta versão remasterizada, estão os layouts, semelhantes aos de Gears 3, a inclusão de fases que eram exclusivas da versão PC e a possibilidade de se jogar com a dublagem brasileira. Por apenas isto, aqueles que jogaram a versão original de 2006, já podem fazer uma segunda partida neste aqui.

Sem dúvidas, um grande atrativo para se jogar Gears of War está na possibilidade de ser jogado em multiplayer local e online, não somente em modo versus, como em conjunto durante a campanha. Isto contribui para o fato replay por tempo indeterminado, já que sempre é bom e divertido dar uns tiros junto de um amigo.

Os interação entre o time e seus diálogos divertidos contribuem para a narrativa.

Caso você leitor tenha o costume de acompanhar minhas análises, deve ter percebido que não dou muita atenção para bugs durante meu gameplay, porém, aqui me sinto obrigado a fazer esta observação. Durante a campanha de Gears of War Ultimate Edition jogada por mim para fazer esta análise, me deparei com dois bugs de travamento, um deles em que os NPCs simplesmente trancavam meu caminho de forma impossível de dar sequência no jogo e outra em que a ‘cutscene’ não entrou no momento que deveria ocorrer. Situações complicadas que exigiram sair do game e retornar até o último save antes do problema. Lamentável, principalmente por se tratar de uma versão remasterizada em que defeitos tão simples poderiam ter sido corrigidos.

As músicas são boas e combinam com o estilo de ação que o jogo possui, porém, não são muito marcantes. Os efeitos sonoros são ótimos, com urros dos inimigos, barulhos das armas e sons ambientes. A dublagem original é de alta qualidade e a brasileira também merece elogios, mantendo a graça dos diálogos bem humorados dos personagens do jogo.

Abaixo vemos a trilha sonora completa de Gears of War Ultimate Edition.

Curiosidade 2: Gears of War teve um grande reconhecimento por parte do público e da mídia especializada no ano de seu lançamento, vendendo mais de 6 milhões de unidades (números incríveis para uma franquia estreante) e concorrendo à melhor jogo do ano na Video Game Awards de 2006, título que perdeu para The Elder Scrolls IV: Oblivion. Outro feito foi ficar no topo entre os jogos mais jogados na Xbox Live de seu tempo, retirando o posto de Halo 2.

Bestiário

Já no primeiro jogo da franquia Gears of War, há uma grande variedade entre os inimigos que enfrentamos durante a campanha. Aqui irei descrever seis deles, os demais vou deixar para que os jogadores conheçam durante a aventura, evitando assim spoilers.

  • Wretch: É o inimigo mais fraco do jogo. Não possui armas de fogo e não precisa receber muito dano para morrer. Seus pontos fortes estão na velocidade e no fato de andarem sempre em bando. Os Locusts os usam como peões no campo de batalha, fazendo a frente, antes da chegada da elite de sua raça.

Wretch

  • Drone: Também chamados de Grubs pelos Gears, são a infantaria dos Locusts, usam armas de fogo e existem em várias especialidades, como os snipers ou os granadeiros. Possuem forte resistência ao dano das armas mais simples e possuem uma inteligência já avançada. Segundo as lendas do povo de Sera, Drones roubavam crianças humanas para serem estudadas anos antes da invasão que ocorreu no Dia da Emergência.

Drone

  • Kryll: São criaturas noturnas, com asas e verdadeira fome de carne, se assemelhando a piranhas voadoras. Costumam agir em verdadeiros enxames e abatem as presas em poucos segundos. A única forma de nos livrarmos deles é com luz.
  • Berserker: São as fêmeas dos Drones, incrivelmente mais fortes, são imunes a qualquer tipo de arma convencional devido à alta resistência de sua pele, sendo vulnerável, neste primeiro jogo, apenas ao Martelo da Aurora. São cegas, mas possuem os sentidos da audição e do olfato muito evoluídos. Inimigo muito forte que muitas vezes exerce a função de chefe em Gears of War.

Berserker

  • Seeder: São inimigos grandes e resistentes. Com aspecto semelhante ao de um artrópode, possuem oito patas e são capazes de eliminar de seus corpos os esporos chamados Nemacysts. No exército Locust, possuem a função de defender o território como uma artilharia antiaérea. Sua presença em campo de batalha também ajuda a interferir na comunicação feita pelos humanos através de rádio.

Seeder

  • Brumak: São seres gigantescos, atingindo mais de 12 metros de altura e 10 toneladas. Acredita-se que os Locusts “fabricaram” os Brumak através de experiências científicas. São usados como transporte e artilharia pesada. Possuem um Drone que os “dirige” acima de suas cabeças. Em regra costumam ter duas metralhadoras, uma em cada braço, e um grande lança foguetes preso em suas costas. Sem dúvidas é um dos maiores trunfos dos Locusts durante a guerra.

Brumak

Curiosidade 3: Em uma entrevista feita durante a E3 de 2015, Rod Fergusson, chefe da Coalition e responsável pela remasterização de Gears of War, informou que uma das principais razões de fazerem esta versão para o Xbox One, foi o fato de querer que sua equipe tivesse um contato com a franquia antes de começarem a desenvolver Gears of War 4. Provavelmente por esta razão não portaram as versões de Gears 2, 3 e Judgment para o console de última geração da Microsoft.

Nossa Conclusão

Sem dúvidas, Gears of War é um bom jogo que tornou ainda mais popular os jogos de tiro em terceira pessoa durante a segunda metade da década passada. Seu gameplay fluído e divertido fizeram dele o primeiro episódio de uma franquia de sucesso nas mãos da Microsoft. Caso ainda não tenha jogado, dê uma chance. Sua ação típica dos filmes americanos pode te conquistar, e caso isso não ocorra, peça a parceria de um amigo para fazerem esta aventura juntos; não tem erro, posso garantir.

Lutas contra chefes não são numerosas na franquia Gears.

Avaliação: 8.5

Jogado na versão de Xbox One

8.5
Bom

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