Por André Eduardo Ruschel à Epic Play —

O Nintendo 64 tinha uma tarefa complicada, chegou ao mercado quase dois anos após seus principais concorrentes e perdeu grande parte de suas antigas companheiras ‘third parties’ quando decidiu manter os antigos cartuchos em seu novo console. A Nintendo precisava, assim, já em seu primeiro ano criar sua base para que tudo não fosse para o ralo. Lançar o console com a obra prima Super Mario 64 foi inacreditável perante os olhos da concorrência, mas não era o suficiente, as quatro entradas de controles precisavam ser utilizadas. Assim, ainda em seu primeiro ano, os consumidores tiveram acesso à Mario Kart 64, o segundo titulo de sua principal franquia de corrida. Após isto, todos perceberam que o problema da falta de parceiros da Big N não seria tão grave, já que a empresa era autossuficiente e, por si só, capaz de satisfazer os consumidores que comprassem sua nova plataforma.

A incrível habilidade da Nintendo de escolher um gênero e transformar em uma festa.

Mario Kart 64 é um título de corrida lançado em 1996, sendo desenvolvido e distribuído pela Nintendo. Trata-se do segundo título da franquia e entre as inovações trouxe a introdução da série ao mundo 3D, a possibilidade de ser jogado em até quatro pessoas e o famoso casco azul.

Curiosidade: A franquia Mario Kart se mostrou forte comercialmente deste sua estreia no Super Nintendo e sua sequência não foi diferente. Mario Kart 64 possui a incrível marca de 9.87 milhões de unidades vendidas, o que faz dele o segundo jogo mais vendido do console, perdendo apenas para Super Mario 64.

Obs: Recomendamos que a análise de Super Mario Kart seja lida antes desta, assim haverá uma um melhor entendimento das mudanças feitas na franquia.

Bastidores Mario Kart 64

O diretor Hideki Konno

Mario Kart 64 começou sua produção em 1995 com o título provisório de Super Mario Kart R, sendo que este ‘R’ significava ‘renderizado’. O game teve como produtor Shigeru Miyamoto e como diretor, Hideki Konno. Já no ano de 1995 o jogo havia sido apresentado na Exposição de Software Shoshinkai, no Japão, em 24 de novembro daquele ano.

Segundo consta, naquela ocasião, Mario Kart 64 já estava 95% concluído, porém a Nintendo optou por não exibir uma versão jogável, devido a bugs que ainda estavam presentes na versão multiplayer. O interessante é que nesta versão beta havia o item “pena” que fazia nosso personagem dar grandes pulos, removido posteriormente, e o personagem Magikoopa como um dos selecionáveis, que foi substituído por Donkey Kong antes do lançamento.

Tela título da versão beta de Mario Kart 64

Hideki Konno explicou, recentemente, a razão dos cenários serem renderizadas em 3D, mas os personagens e itens serem sprites pré-renderizados: “embora renderizar os personagens como modelos 3D não fosse impossível, o poder de processamento limitado do console não permitiria que todos os oito personagens aparecessem na tela de uma só vez”. 

Ao que tudo indica, os sprites de Donkey Kong foram fornecidos pela Rare pouco antes do lançamento de Mario Kart 64, sendo esta a empresa que havia feito os títulos da franquia Country no Super Nintendo.

Abaixo vemos mais algumas imagens desta versão beta Super Mario 64.

Curiosidade: Algumas alterações foram feitas nos cenários de Mario Kart 64 quando o título chegou ao ocidente, uma delas foi suprimir as placas escritas Marioro, que claramente são uma paródia com a marca de cigarros Marlboro. 

Nintendo americana contra cigarros.

Modos de Jogo

São quatro modos de jogo disponíveis em Mario Kart 64. São bastante variados e garante um bom fator replay ao título.

1 – Grand Prix: Pode ser jogado entre um ou dois jogadores em corridas de três voltas. Há quatro copas (Mushroom, Flower, Star, ou Special), com quatro pistas cada. A pontuação é designada de acordo com a posição do jogador no percurso, caso em termine em 5º ou pior, dentre os 8 participantes, deverá correr novamente a pista, isto se dá infinitamente, não havendo mais as vidas do jogo anterior. A dificuldade é determinada pelas cilindradas: 50cc, fácil; 100cc, médio e 150cc, difícil. É possível ainda desbloquear as pistas invertidas, conhecida como Mirror Mode;

Não bastasse a neve, ainda há bonecos, adversários e cascas de banana.

2 – Time Trial: Modo singleplayer em que buscamos o menor tempo. Não há oponentes e itens, mas começamos com um Triple Mushroom. Vale destacar que karts fantasmas podem ser salvos para competirmos contra nós mesmos em partidas futuras.

3 – Versus Mode: Jogado de dois a quatro jogadores, sem a presença de corredores controlados pelo computador.

4 – Battle Mode: A famosa batalha dos balões é Jogada de dois a quatro jogadores. Ocorre dentro de arenas em que os competidores atacam uns aos outros visando estourar os balões dos adversários.

Curiosidade: Uma notícia curiosa viralizou nas redes sociais recentemente, em que um casal de idosos jogava Mario Kart 64 diariamente para decidirem quem iria preparar o chá. Segundo consta, fazem isto desde 2001. Acho isto muito legal, só acredito que os filhos poderiam dar um jogo mais recente, Mario Kart 8 é tão incrível.

Aquela melhor de 3 valendo o chá da tarde.

Análise Técnica

Desta vez os corredores estão divididos em três categorias: Leves: sua principal característica está no fato de possuírem as melhores acelerações e as piores velocidades máximas (Peach, Toad e Yoshi); Médios: São os equilibrados em ambos fatores, (Mario e Luigi); e os Pesados: sendo aqueles com as melhores velocidades finais, porém com as piores acelerações (Wario, Donkey Kong e Bowser). Obs: os personagens do primeiro jogo Koopa Troopa e Donkey Kong Junior foram substituído por Wario e Donkey Kong respectivamente.

A jogabilidade em Mario Kart 64 é muito boa, assim como ocorre em toda franquia. A presença do direcional analógico colaborou para termos um melhor controle do kart em um ambiente 3D, assim como os movimentos dos personagens respondem bem aos nossos comandos. As curvas são melhor realizadas quando aprendemos a utilizar o clássico drift, sendo recomendá-lo dominá-lo o quanto antes.

Qual era seu personagem favorito?

Em relação aos itens presentes no jogo, dois do primeiro título foram removidos (pena e moedas), enquanto vários foram acrescentados: Triple Mushrooms: São três cogumelos de turbo; Super Mushroom: Um cogumelo dourado capaz de fazermos disparar inúmeros turbos; Fake Item Box: uma armadilha que farão os menos atentos rodar na pista ao entrar em contato; Banana Bunch: um cacho com cinco bananas; Triple Green Shells: são três cascos verdes; Triple Red Shells: são três cascos vermelhos; Boo: o fantasma que nos deixa invisível por um tempo e nos faz furtar um item de algum adversário; e o Spiny Shell: famoso casco azul que vai em direção ao primeiro colocado.

Podemos dizer que o fator replay existente em Mario Kart 64 é grande, já que além dos quatro torneios serem bastante divertidos e diferentes entre si, há a possibilidade de ser jogado em três níveis de dificuldades que também alteram seu gameplay. Além disso, devemos lembrar que o Mirror Mode pode ser habilitado, o que praticamente dobra o número de pistas do título. Por fim, o jogo é tão divertido que você sempre vai querer jogar multiplayer com um amigo em um de seus modos de jogo, principalmente porque o Gran Prix pode ser aproveitado com dois jogadores simultâneos.

Detalhes como pontes eram incríveis na época.

A dificuldade do jogo está mais fácil quando comparado com Super Mario Kart, aparentemente os inimigos estão menos competitivos e a presença de itens realmente bons surgem com maior frequência. Mesmo jogando no modo hard, ou seja, 150cc, não vai levar muito tempo para o jogador conquistar todas taças de ouro.

Os Gráficos de Mario Kart 64 talvez sejam seu maior ponto fraco, apesar de agradáveis e não ocasionarem qualquer incômodo durante seu gameplay, percebemos que não são dos melhores que o Nintendo 64 era capaz de produzir, principalmente depois que conhecemos Diddy Kong Racing. Ainda assim, vale destacar que acontece uma certa estranheza vermos os personagens e itens como sprites em meio aos cenários 3D poligonais.

Terrenos inclinados foram uma inovação na franquia Mario Kart.

Caso alguém não conheça sua gameplay. Em Mario Kart temos acesso a itens originários em caixas com sinal de “?”, a probabilidade de receber um bom item está ligada diretamente à posição em que estamos naquele momento durante a corrida, sendo que quanto melhor colocado você estiver, pior será o item. Uma das inovações nesta sequência está no fato de podermos carregar dois itens ao mesmo tempo, podendo ficar com um na reserva. Outra, e talvez a mais significante, foi a introdução do famoso casco azul que vai diretamente em direção ao primeiro colocado, batendo naqueles que estão em seu caminho. Vale destacar que aqui o casco azul ainda não era tão “apelão”, já que ele poderia bater em uma parede caso não fosse usado corretamente.

Todo jogo da franquia Mario Kart possui suas particularidades de gameplay e no caso de Mario Kart 64, uma das mais interessantes, é que os adversários controlados pelo computador frequentemente estão próximos ao nosso personagem quando estamos na primeira colocação. Assim sendo, não é difícil estarmos com até quatro outros karts em nossa volta, isto é particularmente divertido e ocorre apenas neste jogo em toda série. O próprio diretor, Hideki Konno, informou que esta decisão, assim como a inclusão do casco azul, se deram para tornar as corridas mais emocionantes.

A primeira fase com trânsito ninguém esquece.

Diversão é praticamente um sinônimo para a franquia Mario Kart e aqui não é diferente, tudo no jogo tem o carisma típico dos melhores jogos do bigodudo. Sua dificuldade balanceada também contribui para que os jogadores não desistam de ir até o fim do jogo e conhecer seu modo extra. Jogar com um amigo é melhor ainda, porém sempre há aquele risco de se perder uma amizade, jogue dois cascos vermelhos e um azul em sequência para você ver.

A trilha sonora de Mario Kart 64 é realmente incrível, combinando bastante com a proposta do jogo e com a temática das fases, sendo, realmente, bastante divertida. Dou, pessoalmente, um destaque especial à música dos créditos finais, realmente de tirar o chapéu. As faixas foram compostas por Kenta Nagata em seu primeiro trabalho feito para a Nintendo. Diversas álbuns contando as músicas deste jogo foram vendidas no Japão e nos Estados Unidos posteriormente. Os efeitos sonoros estão, igualmente, caprichados, não deixando a desejar em momento algum. As vozes digitalizadas ficaram um charme também.

Abaixo trilha sonora completa de Mario Kart 64.

Curiosidade: Já há algum tempo, está disponível no mercado uma curiosa versão do clássico Banco Imobiliário com os personagens da franquia Super Mario e o tema de Mario Kart. Neste board game, as propriedades são trocadas por locais icônicos, como o Bowser Castle, e há a possibilidade de ser utilizado power-ups, como a estrela. Pode ser jogado entre 2 a 4 jogadores.

Morreremos de velhos e não iremos ver de tudo. Não é mesmo?

Pistas

Quando falamos em Mario Kart, a primeira qualidade do jogo que vem em minha cabeça não são os personagens ou a excelente trilha sonora, mas sim o design de suas pistas que, em regra, são fantásticas. Em Mario Kart 64 as corridas passaram a ter muito mais personalidade do que quando comparado com sua versão anterior, sendo que parte disso se deve a presença de alterações nas elevações dos terrenos (diferente do original que eram planos), cenários móveis e a presença de detalhes, como automóveis e até mesmo um trem na pista. Tudo isto graças a entrada da computação gráfica em 3D, baseada em polígonos, que veio de vez com a quinta geração de consoles.

Quanta nostalgia em uma única imagem.

Através da imagem acima podemos ver as diversas temáticas que envolvem as corridas de Mario Kart 64, indo desde os clássicos percursos de asfalto em pistas normais, estradas com fluxo de carros, até algumas com gelos escorregadios. Em sua maioria, possuem um design memorável e podemos reencontrá-las em jogos mais recentes da franquia.

Resolvi aqui descrever as minhas três preferidas:

  • Toad Tunrspike: A primeira pista com fluxo de automóveis da franquia também é uma das que exigem maior atenção por parte dos jogadores. No Mirror Mode, com os carros vindo em nossa direção a coisa é realmente traumatizante;
  • Yoshis Valley: Além da pista ser um labirinto, o jogo não permite que saibamos em que posição estamos. É bastante divertida, exceto se cairmos da pista ou batermos no ovo gigante de um Yoshi que fica indo de um lado para o outro. Até hoje nunca vi o Big Yoshi que saiu daquele ovo;
  • Raibow Road: A pista tem uma das melhores músicas e talvez seja o maior percurso de toda a história da franquia. Alguns reclamam por ela possuir proteções em suas laterais, já para mim isto é interessante por não gerar interrupções durante a corrida, causar as rebatidas dos cascos e fazê-la ser menos traumatizante que a Raibow Road do Super Nintendo.

E vocês? Quais suas pistas favoritas?

Curiosidade: Como não canso de repetir. Aqueles que viveram os anos 90 tiveram o privilégio de assistir comerciais de games em canais de TV aberta. Algo que era incrível, mesmo quando se tratava desta propaganda fraca e de péssimo gosto.

Conclusão
Algumas pessoas possuem um certo receio do segundo título de uma franquia, isto não vale apenas para games, mas para álbuns de música e cinema também. Super Mario Kart surgiu quando ninguém esperava e deixou todos boquiabertos com tamanha inovação para um título de corrida. A sequência Mario Kart 64 pode não ter causado o mesmo impacto, mas demonstrou não somente o potencial da franquia, mas também que ali estava mais uma consagrada série da Nintendo.
Bom
  • Trilha sonora ótima e original;
  • Diversão garantida para muitas horas;
  • Controles de fácil aprendizado.
Ruim
  • Os gráficos poderiam ser um pouco melhores.
9
Incrível

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