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Por André Eduardo Ruschel em janeiro de 2019

Este é um jogo que deixou muita gente com inveja na sexta geração de consoles. Lançado exclusivamente para o Gamecube naquela geração, ficamos, quase todos nós, donos de PlayStation 2, “chupando o dedo”. O game é, e continua sendo, ótimo. Trazendo todos os elementos que fizeram da franquia clássica de Resident Evil uma série inesquecível e acrescentando novidades na jogabilidade nunca antes exploradas. Para nossa sorte, houveram relançamentos para várias plataformas, o que possibilita a todos nós aproveitarmos esta experiência nos dias atuais.

O começo de mais uma aventura memorável nos videogames.

Resident Evil Zero (Biohazard Zero no Japão) foi lançado originalmente em 2002 para Gamecube, recebendo um relançamento para Wii em 2008. Uma remasterização em HD chegou ao mercado em 2016 para PS3, PS4, Xbox 360, Xbox One e PC. Por fim, em breve o Switch também receberá este grande game em sua biblioteca. A análise a seguir trata-se de sua versão em alta definição.

Comparação gráfica entre a versão original e a recente em HD.

Obs: Recomendo que a análise escrita anteriormente sobre Resident Evil Remake HD seja lida antes desta, assim será possível uma melhor compreensão do enredo e das diferenças entre os jogos.

Abaixo, vemos o trailer da remasterização HD de Resident Evil Zero lançada recentemente.

Curiosidade 1: Aparentemente, as antigas parceiras da Capcom, SEGA e Nintendo, não ficaram muito felizes quando um dos maiores sucessos da empresa, Resident Evil, havia sido lançado com exclusividade para o novo concorrente PlayStation. Para amenizar os ânimos, tudo indica que a Capcom havia prometido dois jogos exclusivos da mesma franquia para os dois consoles. Os títulos seriam Resident Evil Dash para Saturn e Resident Evil Zero para Nintendo 64. Infelizmente, estas promessas não foram cumpridas na geração, e Dash sequer recebeu uma imagem divulgada, enquanto Zero acabou aparecendo apenas no sucessor Gamecube. Os seguistas e nintendistas da 5ª geração dos consoles tiveram que se contentar com versões lançadas posteriormente de Resident Evil 1 e 2, respectivamente.

Eventos anteriores à Resident Evil Zero

A seguir, vamos ver alguns fatos importantes para uma melhor compreensão dos eventos que ocasionaram os conflitos de Resident Evil Zero. São spoilers, porém, vou tentar descrevê-los de forma que não atrapalhem a experiência daqueles que ainda não o jogaram.

No início dos anos 60, do século XX, três amigos cientistas da área de bioengenharia e virologia decidem fundar uma empresa para realizarem pesquisas diversas. São eles: Edward Ashford, o nobre membro da família europeia; James Marcus, o mais sábio, e Ozwell E. Spencer, o mais rico e dono da clássica mansão do primeiro primeiro jogo da franquia.

Em 1968, Spencer cria a Corporação Umbrella junto dos amigos, e atritos já começam a ocorrer entre os sócios. A falta de confiança entre eles gera desunião, e pesquisas individuais passam a ocorrer sem o conhecimento de todos. Assim, apenas Spencer conhece os resultados obtidos com a cobaia Lisa Trevor, e Alexander Ashford, filho de Edward, inaugura na Antártida, secretamente, um centro de pesquisa onde começa o projeto Code: Veronica.

No mesmo ano de 1968, Edward Ashford vem a falecer, o que faz com que Spencer adquira mais poder e influência dentro da Umbrella. Após a morte de seu patriarca, a família Ashford perde consideravelmente prestígio nos negócios, e James Marcus, obcecado apenas pela ciência, ignora os rumos da Umbrella, focando toda sua atenção no vírus que estava estudando.

Spencer, que já possuía ambições de ter o domínio de tudo, envia dois jovens promissores para serem ajudantes e espiões nos laboratórios de Marcus. Estes eram William Birkin e Albert Wesker, ambos velhos conhecidos dos fãs de Resident Evil.

Em setembro de 1978, James começa a conseguir manter uma forma estável do vírus Progenitor, chamado por ele agora de Vírus Tyrant, ou simplesmente T-vírus. Este sucesso se deu através do uso de sanguessugas como hospedeiros intermediários no processo de aprimoramento. No ano de 1988, finalmente, o T-vírus é concluído e Spencer envia tropas para matar Marcus, que aparentemente não seria mais útil para os interesses da Umbrella. Agentes da USS fuzilam o cientista chefe em frente de William e Albert, alunos que James considerava até mesmo como filhos. William Birkin recebe os créditos pelo vírus, torna-se o líder entre os pesquisadores e já começa os estudos de um parasita ainda mais forte.

Sanguessugas, responsáveis por grandes males no mundo de Resident Evil.

Enredo de Resident Evil Zero

A seguir, teremos spoilers do jogo, porém, apenas de seu início.

Assim como o nome indica, Resident Evil Zero se passa momentos antes do início da campanha de seu primeiro jogo. Mais precisamente, descrevendo os eventos que levaram Rebecca Chambers até o interior da Mansão Spencer, onde posteriormente seria encontrada por Chris.

Em julho de 1998, mortos são encontrados nos arredores de Raccoon City, próximo às montanhas Arklay. Entre as várias formas de violência encontrada nos cadáveres, alguns apresentam sinais de canibalismo. A equipe Bravo dos S.T.A.R.S é então enviada com o objetivo de buscar explicações para o ocorrido. Simultaneamente a isto, o trem Ecliptic Express, de propriedade da Umbrella, levava funcionários da empresa para um de seus laboratórios, quando foi atacado por sanguessugas mutantes. Este fato, além de ocasionar o descarrilamento do veículo, também gera o capotamento de um carro militar que transportava um condenado naquela região.

Aquele zumbi vindo em nossa direção com os abraços levantados não poderia faltar.

Ao desembarcarem do helicóptero da equipe, que havia sofrido uma pane, em meio à mata, Rebecca encontra o veículo militar capotado e com dois oficiais mortos. Após um estudo dos documentos que estavam no local, descobre-se que se tratava do transporte de um carcerário que estava condenado à pena de morte. O nome deste prisioneiro é Billy Cohen e a equipe Bravo passa a ter como prioridade encontrar o fugitivo no perímetro de onde estavam.

Ao se separarem, Rebecca encontra o trem e descobre com seus próprios olhos que a população de seu interior está transformando-se em zumbis. Aqui começa a campanha de Resident Evil Zero.

Não demora muito para a protagonista encontrar com Billy, com quem vai ter que formar uma parceria para que ambos possam sair vivos deste terror.

O conflito de confiar em alguém com a ficha suja.

Os Bastidores do Jogo

A partir do momento em que o primeiro jogo da franquia Resident Evil fez sucesso, a Capcom já havia começado a planejar um game que se passaria antes da obra original. Entre as novidades, estava a possibilidade de serem utilizados dois personagens alternadamente. Exatamente por isto, o Nintendo 64 foi a plataforma escolhida na época para receber o título, uma vez que ele seria o único capaz de fazer esta transição de protagonistas sem uma tela de carregamento que pudesse atrapalhar a experiência.

Inicialmente, Resident Evil Zero havia sido anunciado para ser lançado para o Nintendo 64 no início do ano 2000, porém, após inúmeros atrasos, em setembro daquele ano, a Capcom veio a público informar que o título iria sair com exclusividade para o próximo console da empresa, o Gamecube. Na ocasião, foram alegados problemas de compressão de dados em cartucho e pouco tempo para finalizarem todo o conteúdo.

Abaixo, vemos imagens da versão beta de Resident Evil Zero, que seria lançado originalmente para Nintendo 64.

Curiosidade 2: Uma das razões de Resident Evil Zero ser transferido para o Gamecube foi o fato dele ter sido desenvolvido originalmente para o Nintendo 64 DD (Disk Drive), acessório do console que permitia, através de discos magnéticos, rodar jogos de até 64 MB. Acontece que, apesar de anunciado antes do lançamento de seu console principal, este ‘add-on’ recebeu inúmeros atrasos e acabou sendo lançado apenas no mercado japonês, ignorando a Europa e os EUA.

Abaixo, seguem imagens do acessório Disk Drive para Nintendo 64.

Análise Técnica

Graficamente, Resident Evil Zero era incrível na época de seu lançamento em 2002. O número de detalhes do cenário, dos protagonistas e reflexos de luz e sombra estavam fantásticos para os padrões do período. Era até mesmo difícil acreditar que pertencia à mesma geração de Code: Veronica. Esta versão HD também foi bem trabalhada, ajustando detalhes para ser uma remasterização digna. Aparentemente, tudo está melhor definido do que a versão HD de Resident Evil original, exceto as cutscenes que aparentam ser exatamente as mesmas do Gamecube, sem um melhor trato no visual.

A campanha possui em torno de 17 horas quando jogada pela primeira vez, caso você morra algumas vezes, trave em alguns quebra-cabeças e leia os arquivos com calma. Este tempo de gameplay é um pouco superior aos demais jogos clássicos por não haver as duas campanhas típicas dos primeiros games.

A narrativa de Resident Evil Zero segue o estilo da franquia, com cutscenes e arquivos espalhados pelos cenários. Estes textos são muito importantes, não somente para que saibamos detalhes do enredo, como também para solucionarmos alguns dos quebra-cabeças mais difíceis.

Em “becos sem saída”, como este, costumávamos encontrar os nossos queridos baús. Bons tempos aqueles.

Assim como na versão HD do Resident Evil original, aqui possuímos a liberdade de alterar a imagem entre original e widescreen, assim como optar entre a jogabilidade clássica e uma moderna utilizando os controles analógicos. Da mesma forma como eu disse em minha análise do Resident Evil original, recomendo que sejam utilizadas as configurações clássicas, pois a tela widescreen corta detalhes da imagem superior e inferior, assim como controles do tipo “tanque” são melhores quando jogados em direcionais digitais, uma vez que podemos rotacionar o personagem em seu próprio eixo.

O fator replay do jogo é baixo, uma vez que não há o encontro de duas campanhas, como ocorre em Resident Evil 1 e 2. Ainda assim, há modos extras que são habilitados e satisfazem aqueles que querem continuar jogando após terminá-lo.

Resident Evil Zero tentou inovar na fórmula clássica da série, trazendo duas características que se tornaram marcas do jogo. A primeira delas foi o sistema chamado “partner zapping”, em que controlamos dois personagens alternadamente em uma mesma campanha. Este sistema funciona não somente para facilitar a exploração dos cenários, como obrigatoriamente para solucionarmos determinados quebra-cabeças. A segunda novidade, e que deixou os jogadores carecas, foi a retirada dos baús “mágicos”, em que guardávamos os itens recolhidos durante a partida. Aqui, temos que administrar o famoso inventário limitado largando no chão do cenário os itens, incluindo armas, e retornar para buscá-los mais tarde, quando acharmos necessário.

Deixando os itens no chão. Que angústia.

Quando a produção do jogo começou, o objetivo da Capcom era fazer o Resident Evil mais desafiador até então, e aparentemente conseguiram. Detalhes como a ausência de baús; administrar dois personagens simultaneamente; os inimigos serem, aparentemente, mais resistentes; as clássicas fragilidades dos personagens; limitações de inventários e escassez de recursos, fazem deste o capítulo mais difícil da franquia principal. Particularmente não considero nenhum Resident Evil muito frustrante, lembrando que saber administrar o que possui é o segredo para o sucesso.

Os protagonistas possuem diferenças durante o jogo. Rebecca, por ter conhecimento em medicina, consegue manipular ervas de cura e é mais frágil nos combates. Billy, por ser mais forte, pode manipular objetos pesados do cenário e é mais resistente nos combates. Uma combinação entre os pontos fortes de cada personagem é necessária para se terminar Resident Evil Zero.

Após terminarmos a campanha, temos acesso ao ‘Leech Hunter Mode’. Aqui o objetivo é coletar 100 “leechs”, amuletos que estão espalhados pelos cenários. O detalhe é que os ‘leechs’ azuis podem ser pegos apenas por Billy, enquanto os verdes, somente por Rebecca. O interessante é que as posições destes objetos é aleatória, e encontrá-los habilita itens na campanha principal, como armas com munição infinita. É divertido.

Uma das novidades da remasterização é a possibilidade de se jogar com Wesker.

Nesta versão HD temos o inédito Wesker Mode, em que substituímos Billy pelo clássico vilão da série. O enredo do jogo continua o mesmo e a única diferença está nas habilidades extras que Albert possui. Não é nada indispensável, mas diverte por algum tempo e ajuda no fator replay.

A trilha sonora e os efeitos são bons. Nada que fique de forma memorável em nossas lembranças de gameplay, mas exercem muito bem suas funções, como de costume dentro da franquia. É perturbadora quando deve ser e calmante nas áreas seguras. Os efeitos sonoros são igualmente bem feitos, dignos de um capítulo da série principal.

Abaixo, temos a trilha completa do jogo, caso alguém queira relembrar ou ter um primeiro contato.

Curiosidade 3: Apesar das opiniões diversas com relação a Resident Evil Zero, ele atualmente já pode ser considerado um sucesso de vendas dentro da franquia, acumulando mais de 3 milhões de unidades somando todas as versões. Sem dúvidas, é bom ver quando jogos de qualidade recebem seu merecido reconhecimento.

O Bestiário

Como de costume, irei apresentar uma série de inimigos presentes na campanha do jogo. Resident Evil Zero trouxe um misto de inimigos conhecidos da franquia clássica com o acréscimo de alguns novos, principalmente nos chefes. Escolhi desta vez sete monstros, sendo cinco adversários encontrados comumente durante o gameplay e 2 chefes. O jogo ainda possui vários outros, mas vou deixá-los para os jogadores os descobrirem, assim evitando maiores spoilers.

  • Zumbi: São humanos que foram infectados pelo T-vírus de forma acidental ou através da mordida de algum portador da doença. Inimigos básicos da franquia clássica. Possuem seu comportamento padrão, indo em direção aos protagonistas vagarosamente e gerando incômodo apenas quando estão em grande quantidade. Neste episódio da franquia não precisamos nos preocupar em queimá-los após abatê-los (ainda bem).

Zumbi

  • Hunter Alfa: É o modelo MA-121 do monstro. Considerada a primeira arma bio-orgânica feita pela Umbrella, sua origem se deu pela combinação de óvulo humano, DNA reptiliano e uma variante do T-vírus. É rápido e letal, como sempre. Diferentemente do primeiro episódio de Resident Evil, aqui não o encontramos tantas vezes.

Hunter Alfa

  • Eliminator: Antes dos pesquisadores utilizarem o T-vírus em seres humanos, macacos foram usados como cobaias. O resultado foram estes primatas altamente ágeis e agressivos, demonstrando uma grande redução de capacidade de raciocínio. Apesar de não serem muito resistentes, acabam nos dando trabalho devido à sua alta velocidade.

Eliminator

  • Lurker: Durante as pesquisas com o T-vírus, James Marcus experimentou as reações com diversas formas de vida, e uma delas são os sapos. A consequência foi a criação destes monstros incapazes de seguir ordens e que tiveram seu tamanho corporal aumentado muitas vezes. Apesar de serem considerados uma falha dentre as pesquisas da empresa, através destes testes foram possíveis evoluir o Hunter para sua futura versão Y.

Lurker

  • Mimicry Marcus: O terror de Resident Evil Zero. Forma-se a partir da união de inúmeras sanguessugas com o objetivo de se assemelharem com James Marcus. Inimigo forte e que pode nos alcançar à distância. Quando surge em nosso caminho, uma música tensa começa para nos deixar ainda mais inquietos. Aqui fica uma dica: eles não gostam muito de fogo.

Mimicry Marcus

  • Stinger: É o primeiro boss do jogo e o encontramos em poucos minutos de campanha. Como já sabemos, os artrópodes foram umas das primeiras cobaias utilizadas pela Umbrella durante seus experimentos com o T-vírus. Neste jogo, vemos vários deles com a sua típica reação: um aumento expressivo no tamanho. Este escorpião possui a fama de poder cortar até mesmo aço com suas gigantescas pinças.

Stinger

  • Proto Tyrant: Este é o modelo 001 do famoso monstro de Resident Evil. O Tyrant é o objetivo máximo dos pesquisadores da Umbrella. Um ser extremamente forte e resistente, sendo completamente obediente ao seu dono. Aqui, porém, ele ainda estava em estado de testes, com baixo desenvolvimento cerebral devido à desregulada quantidade de T-vírus inserido no tecido humano, andar cambaleante e seus pontos fracos exageradamente expostos. O que poucos sabem é que cerca de apenas 0,0001% dos serem humanos possuem compatibilidade genética para ser um Tyrant útil. A forma da Umbrella resolver isto se deu através da clonagem de um modelo perfeito, o que foi possível após encontrarem o ex-coronel soviético Sergei Vladimir, sendo este 100% compatível para a mutação.

Proto Tyrant

Curiosidade 4: Poucos sabem, mas em 2012 foi inaugurado em Tóquio o Biohazard Café e Grill S.T.A.R.S, restaurante baseado na temática da franquia Resident Evil e com vários elementos da série, como armas e vestuários. Destaque para uma das paredes, que possuem uma réplica do primeiro Tyrant encubado, incrível. Forma curiosa de promover uma franquia. Abaixo, vemos um vídeo de apresentação do café e churrascaria.

Nossa Conclusão

Resident Evil Zero foi praticamente o recomeço e a despedida da era clássica da franquia simultaneamente. Jogo de grande qualidade que certamente não ficaria exclusivo para o Gamecube por muito tempo. Um pouco diferente em suas mecânicas quando comparado com os demais jogos com câmera fixa, merece ser jogado assim como os demais. Seu enredo ajudou a termos uma compreensão maior de como tudo começou e nos deixou satisfeitos com o capricho que recebeu. Atualmente, podemos jogá-lo em praticamente todas as plataformas disponíveis, o que deve ser feito obrigatoriamente caso você seja fã da série Resident Evil, principalmente se for jogar um dos títulos mais esperados de 2019, Resident Evil 2 Remake, que será lançado em breve.

Alguns dos quebra-cabeças de Resident Evil Zero estão entre os melhores da franquia.

Avaliação: 9

Jogado na versão de Xbox One

9
Incrível

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