Por Jean Felipe à Epic Play —

Falar de Sonic Generations não é uma tarefa difícil pra quem se simpatizou com ambas as eras moderna e clássica do mascote. Se você for um desses casos, este consegue ser facilmente um dos melhores lançamentos da série. Vamos fingir que Sonic é um astro do rock: Em sua época de glória, lançou álbuns que mexeram com os jovens por trazer um ídolo rebelde, de atitude e com um trabalho de qualidade sônica sem comparação. Em Sonic Adventure, algumas coisas mudaram, para se ajustar ao que novos consumidores e velhos fãs procuravam naquele momento. A mudança foi bem recebida, mas, tal não se firmou por muito tempo, com “transformações” que continuaram acontecendo constantemente, tentando encontrar um “novo lugar” ao personagem, dividindo a opinião de muitos.

Então chegou aquele momento especial comemorando seus 20 anos de carreira e o que os produtores trouxeram? O que “qualquer” astro/banda faz ao completar 20 anos: “Vamos lançar um ‘Best Of'”, ou em outras palavras, fizeram uma coletânea comemorativa trazendo apenas os seus melhores momentos, de uma carreira tão longa. Em outras palavras, isso é Sonic Generations. Entrando na linguagem dos games, é alguns dos melhores momentos que você já viu, ouviu falar ou jogou nesses anos e tudo pode ser percorrido novamente, de forma remasterizada.

Esforço para “quase” todos os lados

A Sonic Team, inesperadamente, demonstrou um real esforço para que boa parte do que houvesse no jogo fosse aceita pelos fãs nos mínimos detalhes, tentando não contrariar o que os mesmos esperavam sobre Generations. A grande surpresa neste lançamento, talvez seja o fato de termos de volta, após anos, o Sonic clássico, um Sonic mais rechonchudo, mudo, e tão lembrado pelos gamers na era de ouro da SEGA. Tudo está ali, não sendo só a versão mais jovem do personagem. A jogabilidade clássica, um verdadeiro sinônimo de qualidade, está lá praticamente intacta. Há mudanças devido à engine do jogo, mas estas são pouco perceptíveis até mesmo para quem passou dezenas de horas jogando Sonic no Genesis/Mega Drive.

“Queda liiivreeee!”

Para manter um certo sentido em um encontro com o Sonic de 20 anos atrás (em relação à história), foi só utilizar um elemento muito comum na série desde o título Sonic CD, lançado após o Sonic original, que é a viagem no tempo, ou pode-se dizer viagens entre dimensões, também. Time Eater, o grande vilão da história, é uma entidade capaz de quebrar as barreiras do espaço e tempo, o que acaba bagunçando toda sua “linha”. Sonic, ao comemorar seu aniversário com alguns de seus amigos mais importantes (senti falta do Big the Cat, onde ele está?), acaba tendo a sua festa invadida pelo grande vilão, o qual acaba raptando quase todos os personagens presentes, fazendo Sonic perseguir o mesmo. Sonic entra em um portal dimensional que o leva para a Green Hill Zone, e daqui em diante, ao se reencontrar com o seu eu passado, ambos devem juntar forças para correr contra o tempo, pegar as esmeraldas do caos e salvar os seus amigos. Não estamos falando de um enredo complexo, o que pode se fazer com que fãs da série Adventure sintam falta de “algo a mais”, mas deve-se dizer que tudo foi posto na medida para um jogo comemorativo.

Curto só na história

As fases são todas temas que já se passaram na franquia em jogos anteriores, mas estão todas reinventadas, com novos caminhos secretos, estratégias, elementos, etc.

É sempre preciso passar as fases em sua versão clássica e moderna. As regras básicas para ambas versões são as mesmas, mas, na versão moderna podemos jogar tanto em plataforma lateral, como tridimensional, de acordo com a passagem. O design de fases lembra muito aos Sonic 1, 2 ou 3: Quanto mais alto o caminho, melhor, e sem falar que é preciso pensar com mais calma para passar certos pontos, ao invés de correr e usar apenas seus reflexos, como foi em Sonic Unleashed, que dava impressão de que você só precisava usar seu impulso. Poderia ter um pouco mais de dificuldade nas fases de Generations, porém, talvez os desenvolvedores tivessem em mente um jogo moderado tanto para crianças, como para adultos, resultando pra mim de 6 a 7 horas de jogo, ainda fazendo alguns extras, o que pode ser considerado um ponto negativo. Alguns extras, no entanto, são realmente difíceis.

Apesar do jogo ser relativamente fácil para os mais adultos, tentar terminá-lo 100% pode significar uma verdadeira dor de cabeça, que pode estender o jogo por até uma média de 40 horas. Sim, são muitos extras.

Arrebentando a boca do “latão”.

O Sonic moderno é muito mais rápido que o clássico e tem o já famoso “impulso” para isso; Como já citado, a jogabilidade do Sonic moderno lembra a de Unleashed, mas aprimorada, e também a do premiado Sonic Colors, ambos jogos anteriores. Todas as missões principais podem e devem ser feitas tanto com o Sonic clássico quanto o moderno e algumas extras podem até ter a ajuda dos amigos de Sonic; Passar por e relembrar algumas fases é muito bom, e é difícil de esquecer como foi entrar na pele do Sonic clássico em fases como a Crisis City e Rooftop Run. De fato, com essa mistura de jogabilidades clássica e moderna, caiu muito bem, pelo menos pra mim.

Extras relevantes fazem parte da essência de Generations

Já os tão aclamados efeitos sonoros e a trilha sonora da franquia são de longe as características mais impressionantes do jogo. Sonic sempre foi forte nesse quesito, mas além de você poder ouvir uma versão “clássica” e uma versão “moderna” da música de cada zona, terá ao todo 50 músicas destraváveis, modernas ou clássicas, instrumentais ou cantadas, sendo estas últimas, várias da banda oficial de Sonic, a Crush 40. Não foram colocadas músicas novas ao decorrer do jogo (com exceção da música do chefe final, que achei fraquinha, aliás), sendo no caso, todas faixas relançadas ou intactas. As faixas destraváveis podem ser selecionadas para se jogar nas fases. Também são destraváveis mais de 130 artes, biografias, e outros que envolvem até um salão secreto de troféus. Há uma DLC de pinball, onde o Sonic é a bolinha, e um extra na versão de consoles, onde você pode jogar Sonic 1 para Mega Drive completo.

Há também a lista dos presentes que não chegaram neste aniversário de 20 anos, como os famosos estágios bônus após completar alguma fase. Aqui, pegamos uma esmeralda após derrotar cada chefe, automaticamente. Talvez essa seja a maior falta no game; Há também uma carência de dificuldade maior em alguns chefes.

Talvez essa franquia seja bastante criticada pelo fato de nenhum jogo ser um lançamento grandioso em relação ao que a SEGA fazia em seus consoles, dando a impressão de que sempre falta algo. Em Sonic Adventure temos uma história profunda que era, realmente, uma continuação direta de enredos clássicos do ouriço; O Chao Garden incluso na série Adventure é outro que foi um sucesso enorme, mas, desapareceu depois; E essa ideia de renovar a jogabilidade de Sonic a cada lançamento, incansavelmente, invés de olhar para o que já deu certo, não pega bem. Sonic Generations é um resultado de anos de mudanças, mas a Sonic Team poderia talvez ter levado muito menos tempo para chegar nisso, se não ficasse de alguma forma ou outra tentando sempre se renovar ou tentando ser simples demais, a cada lançamento.

Muitos caminhos para se percorrer em todas as fases.

3DS e finalmente nos PCs

A versão para 3DS é diferente das para PS3, Xbox 360 e PC. A engine é mais próxima à do Mega Drive e por isso os fãs classicistas mais perfeccionistas poderão se interessar mais pelo jogo no portátil, neste quesito. Há também chefes e fases diferentes, como a primeira fase de Sonic Adventure, aquela famosa da baleia, e a Mushroom Hill Zone. Talvez, o maior mimo de todos, sejam os estágios bônus para pegar as esmeraldas, que lembram muito os de Sonic Heroes. Também há um suporte para modo multijogador. As disputas são simples, mas divertidas e sempre estáveis no modo online.

Há alguns pontos negativos na versão 3DS, pois Sonic Generations nesta versão parece ter menos vida, sendo que algumas de suas fases parecem se copiar entre si, sendo menos criativas. O gorducho clássico aqui sabe fazer o movimento “homming attack” que só deveria ser aprendido pelo Sonic moderno, como realmente é em Generations em sua versão original. E, sendo assim, devido a estas diferenças entre a versão 3DS e as de outras plataformas, deve ser lembrado que a análise da Epic Play se refere de um modo geral, à sua versão para consoles e PC. Deixado aqui neste trecho as principais diferenças no portátil.

Outra novidade é que esse é o primeiro jogo da saga principal de Sonic em 7 anos a ser lançado para PC. Já estava na hora… Assim dá pra desfrutar de ótimos mods, novas fases e tudo mais. E lembre-se: Sonic é literalmente feito para se jogar com um controle, e o controle de Xbox 360 é padrão para o Windows. Mas, caso não tenha um disponível, tente especificar da melhor forma possível para você os controles no teclado, abusando do AWSD para andar, QE e outros botões próximos para esquiva e mais.

Testado na versão para PC, via Steam.

Conclusão
Sonic Generations é uma mistura inesperadamente genial do clássico com o moderno. Apesar da história ser simples e haver menos dificuldade no progresso de jogo do que o esperado, tem um valor "replay" alto e pode ser levado para até mais de 40 horas de jogo, procurando completar todos os extras. Passando por fases memoráveis com o Sonic clássico, em plataforma lateral, ou com o Sonic moderno, que além da lateral inclui a plataforma tridimensional, Sonic Generations é um verdadeiro tributo ao que foi a carreira de Sonic em seus anos anteriores, repleto de diversão e bons sentimentos. É um jogo marcante, desta vez positivamente, para o ouriço. Se formos levar em comparação Sonic Generations e Super Mario Galaxy 2, que foi lançado um ano anterior ao mesmo, ambos os mascotes se encontram em uma situação parecida a dos anos 90, o que é emocionante dizer, pois o verdadeiro mascote páreo para Mario conseguiu demonstrar como chegou se tornar um ícone, com jogos relevantes. Afinal, esse jogo não foi feito só para fãs do ouriço, mas sim para qualquer um. E é "com isso" que Sonic deve seguir.
8.5
Bom
Written by
Jean Felipe é diretor-geral e fundador da Epic Play. Você pode acompanhar mais sobre o seu trabalho no YouTube ou pode realizar doações para o desenvolvimento de projetos.

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