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Por André Eduardo Ruschel à Epic Play —

Provavelmente já disse isto em outras análises e certamente voltarei a dizer. A Nintendo é mestre em reformular um gênero que já se encontra consagrado dentro da história dos videogames. Como exemplos mais relevantes, comercialmente, poderíamos citar as franquias Mario Kart e Super Smash Bros. como a forma que a empresa vê os os games de corrida e luta respectivamente. Não iria demorar para os funcionários da Big N pousar os olhos no enorme sucesso que os títulos de tiro faziam na geração passada. Assim sendo, Splatoon é exatamente isto. Um jogo TPS aos olhos da famosa empresa de Kyoto.

Partiu para a guerra de tintas mais divertida dos games.

Splatoon é um jogo do gênero Shooter TPS (tiro em terceira pessoa) com foco no multiplayer online. Desenvolvido com exclusividade para o Wii U e lançado em maio de 2015.

Abaixo segue o trailer de Splatoon.

Curiosidade: Splatoon foi um grande sucesso comercial e de crítica. Um de seus feitos perante o público está no fato de ser o 5º jogo mais vendido do Wii U, com 4,71 milhões de unidades vendidas.

Bastidores

Todo Nintendista que se preze possui uma certa preocupação quanto aos rumos da Nintendo após a aposentadoria de Shigeru Miyamoto, que certamente um dia virá. Considerado a maior mente criativa da história dos games, possui nos dias de hoje, praticamente, a função de aprovar se uma ideia vai para frente ou não dentro das equipes de desenvolvimento e dar bons conselhos para futuros jogos.

A Nintendo, sendo visionária como sempre, ao menos dentro da área artística de sua empresa, desenvolveu o projeto chamado Garage, sendo este um grupo de desenvolvedores jovens que possuem como função ter ideias novas, viáveis e principalmente divertidas para futuras propriedades intelectuais inéditas. Quando surge algo bom de suas reuniões eles marcam um encontro com o mestre Miyamoto, que deve dizer se a ideia é válida ou não. Splatoon foi o primeiro “filhote” aprovado que saiu da “Garagem” e que, aparentemente, entregou aquilo que os fãs da empresa esperavam.

Não dá para negar que a equipe conseguiu fazer personagens muito carismáticos.

Os desenvolvedores do Garage diziam-se fãs das franquias concorrentes da Nintendo, como Call of Duty por exemplo, e queriam fazer algo ligado ao estilo, mas que ainda pudesse ser relacionado com as raízes da empresa. Não demorou para a ideia de guerra de tintas surgir, assim como a possibilidade de poder esconder-se dentro da tinta durante os combates. O Interessante é que quando os desenvolvedores do Garage, chamados por alguns como alunos de Miyamoto, mostraram ao seu mestre a ideia, o professor fez a observação de que aparentemente faltava carisma nos personagens da nova propriedade intelectual e, assim como haviam feito com Super Mario Kart e Super Smash Bros., em fase de desenvolvimento, Shigeru sugeriu colocar a turma de Mário no lugar dos personagens, para que, assim, o sucesso fosse garantido, inclusive informando que as tintas poderiam ser disparadas através do equipamento utilizado pelo personagem bigodudo em Super Mário Sunshine. A equipe “em peso” foi contra e “bateu pé” querendo manter os Inklings como personagens da nova franquia. O resto é história que já conhecemos.

Não vai demorar para você dizer para si mesmo: “O time não pinta como eu pinto”. Trocadilho infame nº 1.

Curiosidade: Foram inúmeros os prêmios que Splatoon recebeu em seu ano de lançamento, mas irei destacar aqueles referentes a mais famosa premiação do mundo dos games, o The Game Awards de 2015. Naquele ano o game recebeu o título de melhor multiplayer, concorrendo contra jogos como Call of Duty: Black Ops III, Destiny e Halo 5; e foi também o melhor jogo de tiro, superando novamente os clássicos: Call of Duty: Black Ops III, Destiny, Halo 5 e Star Wars Battlefront. É difícil dizer a razão desta grande vitória, mas certamente o fato de ter trazido algo inovador e diferenciado para um gênero tão desgastado foi um de seus grandes diferenciais.

Enredo e Single Player

O enredo de Splatton aparentemente se passa em um futuro muito distante, onde a raça humana não existe mais e os seres aquáticos evoluíram a ponto de se tornarem inteligentes e dominarem a superfície. Em meio a isto há um conflito entre as lulas (Inklings) e os polvos (Octarians), sendo que estes últimos foram submetidos a viverem no subsolo devidos ao fato de terem perdido uma guerra ocorrida anteriormente.

Nosso dever é enfrentar esta ameaça octariana que sequestraram os peixes-gato-elétricos, principais fontes de energia do mundo de Splatoon. Para este dever devemos encontrar um bueiro de Inkopolous, lá conversar com o veterano Cap’n Cuttlefish e ter acesso ao Octovalley, lar dos polvos.

O modo campanha, além de bastante divertido, serve como um bom treinamento para o online.

O modo single player (Hero Mode) de Splatoon, apesar de relativamente curto, é bastante divertido e até mesmo obrigatório para aqueles que desejam ter uma experiência completa do jogo. Além de servir como um verdadeiro tutorial para as futuras batalhas online, aqui encontramos os Sunken Scroll, pergaminhos que contam o enredo do jogo e que permitem que novas armas sejam desbloqueadas na loja, e as batalhas contra os chefes extremamente criativos e bem feitos. Vale destacar que algumas mecânicas são exclusivas deste modo de jogo, como as plataformas que crescem quando atingidas por nossa tinta e diminuem quando atingidas pelas tintas dos inimigos.

O maior destaque na campanha são os chefes muito criativos e divertidos.

Abaixo trailer do modo single player de Splatoon.

Curiosidade: Certamente Splatoon não iria ficar por fora da onda dos amiibos, no caso deste jogo, suas funções correspondem a aumentar o fator replay do modo single player, criando novos desafios, obrigando o jogador a jogar com determinadas armas, limitação de tinta e superar speedruns. Vale destacar ainda que cada amiibo libera 3 peças de roupas exclusivas para nosso avatar.

Os amiibos garantiam bons acréscimos de conteúdo para o jogo principal.

As Armas de Splatoon

O conteúdo de Splatoon recebeu inúmeras atualizações desde seu lançamento, o que vale não somente para suas armas, mas também cenários e demais acessórios. Isto fez com que muitos sites avaliadores acabassem tendo que refazer suas impressões a respeito do jogo. Para se ter uma ideia, somente de armas há mais de 90 tipos disponíveis para os jogadores, sendo as mesmas divididas em shooters, chargers, rollers, sloshers e splatlings.

Cada arma em Splatton é dividida em três partes: Main Weapon, Sub Weapon e Special. As Main Weapons são as mais utilizadas e que iremos descrever a seguir; as Sub Weapons gastam um pouco mais de tinta e exigem uso mais estratégico, como as bombas de tinta; e as Specials, que podem ser usadas quando adquirimos uma boa quantidade de pontos durante a partida, costumam pintar uma  grande área quando utilizadas.

Alguns exemplos de armas básicas do jogo.

Abaixo veremos as descrições das Main Weapons presentes em Splatoon:

  • Shooters: São as armas tradicionais de Splatoon, perfeitas para iniciantes. Possuem um equilíbrio entre alcance, gasto de tinta e frequência. Alguns Exemplos são as Aerosprays, Splash-os e Naps;
  • Chargers: Explicando da forma mais simples possível, são as snipers. Armas com baixa frequência e pouco gasto de tinta, porém com um grande alcance. Seus usuários geralmente precisam ter apoio por parte do time e se localizarem em áreas elevadas para não serem encontrados. Exemplos são E-Liter e Squiffers.

A Nintendo recomendava esta gambiarra para que o multiplayer local fosse justo.

  • Rollers: São as armas símbolos do jogo. Possuem um alcance muito limitado, porém conseguem pintar uma grande área em pouco tempo, sendo praticamente obrigatório a presença de um Roler em um time de sucesso. Arma recomendável para aqueles que não gostam muito de se preocupar com pontaria e que adoram um combate corpo a corpo. Exemplos são a Carbon e as Inkbrushes.

Se tem tiro, tem campers. Aqui, ao menos, eles não atrapalham muito devido ao ritmo rápido e constante que o game possui.

  • Sloshers: São os baldes, um pouco mais difíceis de serem utilizados, mas não tanto. Apesar se cobrir uma boa área, possuem um pequeno alcance. O ideal para aqueles que os utilizam é defender uma área estando em um ambiente elevado, como uma torre. Exige uma certa experiência para ser utilizado com maestria. Alguns exemplos são a Classic Squiffer e a Splat Charger;
  • Splatlings: São as armas menos populares do jogo, apesar de esteticamente parecerem verdadeiras metralhadoras. Elas disparam boas rajadas a grandes distâncias, porém possuem o ponto fraco de terem que ser carregas, o que deixa os jogadores vulneráveis temporariamente. Recomendável apenas para os jogadores experientes em Splatoon. Alguns exemplos são a Mini e a Hidra.

Exemplo de time standard.

Curiosidade: Logo que começamos Splatoon nos deparamos com a bela Inkopolous Plaza, local em que podemos fazer nossas comprar, ver outros jogadores e ter acesso aos modos de jogo. Sua inspiração certamente veio de Shibuya, com as lojas e a Tóquio Tower próxima, e a cidade de Los Angeles, com seus habitantes que costumam utilizar roupas e acessórios tecnológicos modernos.

Análise Técnica de Splatoon

Os gráficos de Splatoon são muito bons, realmente mostrando bem o potencial que o Wii U tinha. Tudo nele é bastante colorido e detalhado, principalmente a tinta, sendo muito bem feita. A Nintendo aparentemente sabia o potencial que a franquia iria ter comercialmente e caprichou neste quesito.

Aquela expectativa que o gato faz é indescritível.

Apesar do game possuir um modo single player é no multiplayer que Splatton mostra por que veio. Entre seus modos, o principal deles chama-se Turf Mode, em que dois times de quatro pessoas devem pintar a maior área da arena antes que o tempo da partida chegue ao fim. A mecânica mais interessante é que os competidores podem se transformar em lulas na tinta para se locomoverem mais rapidamente, pagando o preço de estarem completamente vulneráveis enquanto isto. Vale destacar que a presença do GamePad do Wii U é extremamente relevante, pois, além de mostrar o mapa da partida, também possibilita que nosso personagem dê grandes saltos dentro das arenas. Obs: Há um multiplayer local no jogo, mas nada de indispensáveis para o proveito do mesmo.

infelizmente a saída de um integrante do time faz muita diferença em Splatoon.

Nem tudo em Splatoon são elogios, havendo alguns “defeitos” em seu modo online. Apesar de eu não ter encontrado grandes problemas de quedas durante as partidas, há algumas escolhas feitas pelos programadores difíceis de entender; como as arenas fixas que alteram após algumas horas, sem qualquer possibilidade de escolha por parte dos jogadores, ou o fato de termos que sair da “sala” sempre que quisermos fazer alterações em nosso personagem. Não são grandes problemas, mas que muitos jogadores desaprovaram.

Sempre tome cuidado com todos lados, assim ninguém vai passar o rolão por trás de vocês. Trocadilho infame nº 2.

A customização inicial de seu personagem é bastante limitada, mas isto se deve ao fato de que os futuros acessórios adquiridos no decorrer do jogo nos possibilitam melhorar os atributos de nosso avatar, assim sendo, a moda presente em Splatoon está diretamente ligado à jogabilidade de nosso personagem.

A jogabilidade de Splatoon pode assustar algumas pessoas inicialmente, uma vez que exige uma certa prática com o sensor de movimento presente no GamePad do Wii U. Apesar de eu considerar melhor assim, vale destacar que este sistema pode ser modificado para um mais “padrão” nas “opções” presentes no jogo.

Os grandes saltos das lulas. Ahh, não vou fazer trocadilho com a arma pincel, daí já demais.

O tempo da campanha (Hero Mode) vai girar em torno de umas cinco horas quando jogado pela primeira vez, isto caso o jogador procure pelos colecionáveis e tenha alguma dificuldade de adaptação ao jogo. Pode parecer pouco, mas como a própria Nintendo disse, isto é apenas um ensaio divertido para aqueles que querem jogar bem Splatoon em seu multiplayer.

O fator replay de Splatoon é enorme, principalmente pelo seu modo online viciante e cheio de equipamentos para serem desbloqueados com os pontos que adquirimos durante as partidas. O jogo acaba sendo um passatempo incrível com experiências diferentes toda vez que é jogado.

A busca pelos peixes-gato-elétricos. Espero ter escrito corretamente isto.

A diversão de Splatoon é igualmente memorável, devido ao seu primor técnico e mutiplayer viciante. Você pode até enjoar de jogar depois de algum tempo, mas acredite, não vai demorar muito para você querer participar de mais algumas partidas, assim como sempre tentar montar o avatar mais perfeito possível.

A trilha sonora de Splatoon é muito boa, sendo que combina perfeitamente com o ritmo acelerado e de competição que o jogo possui. As músicas são extremamente originais, inclusive sendo várias delas, aparentemente, cantadas no idioma nada reconhecível dos Inklings. Os efeitos sonoros são igualmente de alta qualidade, não havendo nada para reclamar no tocante a isto.

Abaixo segue a trilha sonora completa de Splatoon.

Curiosidade: Com o sucesso de Splatoon já poderíamos imaginar que uma sequência viria para o sucessor Nintendo Switch, o que ocorreu em julho de 2017, três meses após o lançamento do novo console. Com o intuito de contribuir para as vendas do console, Splatoon 2 conseguiu vender muito bem, sendo que, no dia de hoje ocupa o 4º lugar entre os jogos mais vendidos do console, com 7,01 milhões de unidades vendidas.

Conclusão
A Big N arriscou colocando no mercado uma franquia inédita feita por produtores jovens e que tinham como planejamento desenvolver um jogo de tiro em quem não atirávamos em nazistas, zumbis ou zumbis nazistas, era algo inédito para um gênero um tanto saturado. O seu resultado foi, mesmo quase 5 anos após seu lançamento, continuar com salas lotadas de jogadores 24 horas por dia, um feito que certamente merece elogios e que refletiu em sua sequência de sucesso para seu atual console, o Switch.
Bom
  • Trilha sonora ótima e original;
  • Gráficos lindos e bastante coloridos;
  • Fator replay garantido pela grande diversão.
Ruim
  • O modo single player poderia ter maior conteúdo.
9
Incrível

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