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Por André Eduardo Ruschel à Epic Play —

Street Fighter é uma daquelas poucas franquias que parecem que começaram pelo número 2. Apesar deste primeiro episódio ter tido um razoável sucesso nos arcades do Japão e dos Estados Unidos, no Brasil (pelo menos até onde eu sei) apesar de presente, foi bastante ignorado. Então aproveitando o recente aniversário de 30 anos, desta que é a maior franquia de jogos de luta de todos os tempos, resolvi homenagear a série da forma com que ela chegou ao mercado. Espero que gostem de conhecer a origem da grande saga de Ryu e seus amigos.

Street Fighter é um jogo do gênero luta, lançado para arcades em 1987, desenvolvido e publicado pela Capcom. Apesar de receber várias conversões para os microcomputadores da época, não chegou a ter um porte para o console mais popular de seu período, o NES.

Curiosidade: A pergunta é: Street Fighter nunca foi lançado para um console no ocidente? A resposta é sim, porém a plataforma escolhida foi o obscuro PC-Engine CD (TurboGrafx-CD), que ainda foi renomeado (prática comum no período) de Fighting Street. Sobre esta versão, vale destacar que sua trilha foi remasterizada, aproveitando-se assim o potencial do CD, e a intensidade dos golpes era efetuado pelo tempo em que os botões eram segurados, visto a limitação de botões do controle do console.

Bastidores

Designer Takashi Nishiyama.

O principal nome ligado a criação da franquia Street Fighter é Takashi Nishiyama. Sua vida junto dos games se iniciaram em 1982, quando começou a trabalhar na Irem em clássicos como Moon Patrol e Kung Fu Master (tido pela crítica como o primeiro beat’ em up da história dos jogos eletrônicos).

Street Fighter já tinha a sede de revolucionar o marcado de games desde sua primeira versão. Um dos destaques estava na complexidade e quantidade de movimentos que estariam disponível para seu protagonista. Era vontade de Nishiyama fazer com que o personagem tivesse níveis de ataque, ou seja, um soco fraco, porém rápido; um forte, porém lento; e um intermediário. Para conseguir isto resolveu fazer uma máquinas com 2 botões (um de soco e um de chute, sendo almofadas de borracha) capazes de captar a intensidade com que o jogador utilizasse o comando.

Assim como não era tão difícil de prever, estes primeiros modelos das máquinas de Street Fighter começaram a necessitar de manutenção com grande frequência, além de algumas reclamações de jogadores que diziam ficar machucados após algumas partidas do game, isto se dava porque verdadeiros socos eram dados no painel do arcade, visando conseguir desferir os ataques mais fortes.

A solução adotada pela Capcom foi ao mesmo tempo óbvia e maravilhosa, passando a adotar 6 botões na face do arcade (algo inacreditável para o período), cada um representando a intensidade dos socos ou chutes. Este sistema fez com que a máquina ganha-se ainda maior popularidade, o que acabou virando padrão, não apenas para futuros jogos de luta da empresa, como também dos seus concorrentes diretos.

Após alguns desentendimentos internos na Capcom, Nishiyama, em 1988, foi trabalhar na SNK, onde criou grandes rivais de Street Fighter (principalmente no Japão), como Fatal Fury e Art of Fighting. Interessante que muitos consideram estes jogos cópias de Street Fighter, quando na verdade merecem mais o status de sequência espiritual. No ano 2000, o game designer resolveu deixar de ser empregado e inaugurou sua própria empresa de games, a Dimps. O mais interessante disto tudo é que em 2008 a Capcom contratou os serviços da Dimps, onde Nishiyama acabou tendo o prazer de ser o produtor executivo de Street Fighter IV, título que fez reascender em muitos a paixão pela franquia. Mais uma vez os videogames nos ensinando que o mundo dá muitas voltas.

Curiosidade: Com um sucesso considerável de Street Fighter nos Estados Unidos, a Capcom americana tratou de “encomendar” para os japoneses uma sequência do título. Acontece que a sequência ficou de tal forma diferente do jogo original que acabou mudando seu nome para Final Fight. Até mesmo propagandas com o título de Street Fighter’ 89 já estavam circulando. Mais detalhes sobre isto pode ser visto na análise completa de Final Fight, já feita aqui na Epic Play.

Enredo

Aqueles que são fãs de jogos do gênero luta sabem que Street Fighter nunca deu muito valor para sua trama, principalmente quando comparado com um de seus maiores rivais, Mortal Kombat, de forma que grande parte de seu enredo foi se formando com o passar dos anos, gerando momentos canônicos e outros não. Assim sendo, abordarei a atual interpretação dos principais fatos ocorridos durante os eventos do primeiro torneio, não havendo nenhuma forma de atrapalhar a experiência de quem ainda não jogou este título com spoilers.

A história de Street Fighter começa quando o atual campeão mundial de Muay Thai, Sagat, não satisfeito com seu título, resolve organizar um torneio em que poderiam participar pessoas de todo mundo e com especialidade em qualquer estilo de luta. Seu objetivo era não somente testar seus limites, como também mostrar ao mundo que o Muay Thai era o estilo de luta suprema.

Pontos turísticos famosos estão presentes na franquia desde o primeiro jogo.

Após os treinamentos junto de Ken, com seu mestre Gouken, Ryu fica sabendo do torneio e resolve testar suas habilidades. Assim como imaginado, a final foi Ryu versus Sagat e o campeão de Muay Thai deu uma surra em seu rival carateca (Ansatsuken). No momento em que Sagat percebe que Ryu não possuía mais condições para continuar o combate resolve estender a mão para o adversário caído, como gesto clemência e fim de luta. Neste momento o inesperado acontece. Ryu, involuntariamente, desperta o Satsui no Hadou e acerta em cheio o peito de Sagat com um Metsu Shoryuken, acabando com o oponente e gerando nele uma enorme cicatriz.

Após a consagração de Ryu como campeão do Street Fighter World Warriors, o vencedor vai atrás de seu antigo mestre em busca de informações do que havia ocorrido durante a final do torneio. Infelizmente, ao chegar em seu dojo, encontra Akuma assassinando brutalmente seu mestre Gouken.

Uma imagem que define o principal momento do enredo do primeiro Street Fighter.

Vale destacar que Ken, apesar de ser o player dois em Street Fighter, não está canonicamente presente no torneio. Sendo que após o fim de seus treinamentos voltou aos Estados Unidos para uma disputa nacional de caratê, local em que acaba conhecendo sua futura esposa Eliza.

Curiosidade: Street Fighter divide o mesmo universo com outras quatro franquias da Capcom (Slam Master, Final Fight, Rival Schools e Captain Commando) e para a surpresa de muitos, o primeiro título da franquia desta grande série de luta não é o começo de tudo. Dois títulos da série Slam Master, jogos famosos por trazer Mike Haggar enquanto ainda era lutador profissional, são, cronologicamente, a origem de tudo. Os jogos são: Slam Master e Slam Master 2: Ring of Destruction.

Análise Técnica

Street Fighter foi o primeiro jogo do gênero luta produzido pela Capcom. Então neste game ainda vemos características que ainda seriam bastante aperfeiçoadas em futuras sequências. Sendo assim, aqui temos apenas Ryu como personagem selecionável e caso um player 2 entre na partida controlará Ken, um personagem com características idênticas às do protagonista.

Será que um dia veremos novamente os personagens esquecidos do primeiro Street Fighter?

Os gráficos de Street Fighter chamavam bastante a atenção dos jogadores na época de seu lançamento, com personagens grandes e ricos em animações diversas. Os detalhados cenários ao fundo, simbolizando o país em que a luta está se passando também contribui bastante para a ambientação do game.

A riqueza de detalhes ainda impressiona.

No primeiro jogo da franquia já tínhamos os famosos bonus stages. Aqui temos quatro durante a campanha, sendo divididos de duas formas: um deles trata-se de destruir blocos (imagem abaixo) de forma semelhante a que veríamos futuramente no primeiro Mortal Kombat; no outro, temos personagens segurando tábuas que devem ser quebradas com golpes dados com a mesma movimentação das lutas normais. Ambos são divertidos e contribuíam para a atmosfera de torneiro que o game possui.

Os bonus stages já estavam presentes desde a origem. Quem lembra do primeiro Mortal Kombat?

O tempo de campanha do game é curto, porém dentro dos padrões do gênero luta. Levando entre 20 e 30 minutos para um jogador experiente chegar até seu final, isto caso não venha a perder muitas lutas do início até os créditos do jogo.

Abaixo seguem encartes publicitários de Street Fighter.

A jogabilidade pode ser bastante travada quando comparamos Street Fighter com sua sequências. Ainda assim, conseguiam ser bastante satisfatórias na época. O curioso disto é que aparentemente os programadores sabiam da dificuldade que era para executar os golpes especiais com precisão, e por esta razão eles retiram uma incrível quantidade da barra de energia dos adversários. Vale aqui dizer que um Shoryuken bem feito (famoso 3 hits) é capaz de derrotar o adversário mesmo se ele não tiver um arranhão, garantindo assim nosso “perfect”.

Este “versus” já acontecia em 1987.

A dificuldade de Street Fighter, por incrível que pareça, não é muito grande. Isto se dá devido, principalmente, ao impacto que nossas “magias” possuem nos adversários, bastando assim que os jogadores dominassem os três famosos especiais de Ryu para que a vitória no primeiro World Warrior esteja garantida.

O fator replay é muito baixo devido ao fato de podermos jogar com apenas um personagem. Depois de terminá-lo uma vez, principalmente quando consideramos um jogador nos dias de hoje, dificilmente haverá motivos para mais uma partida de Street Fighter em um período breve.

Conheceríamos melhor a história do poderoso Gen com o passar dos anos de Street Fighter.

A diversão pode não ser das maiores quando jogamos Street Fighter nos dias de hoje, principalmente após tantos jogos do mesmo gênero muito superiores que acabamos conhecendo posteriormente. Eu, como jogador de games de luta, digo que a experiência é válida, devido ao fato de, não apenas, conhecermos a origem daquela considerada a maior franquia de jogos de luta da história, como também ter acesso a personagens icônicos que voltariam futuramente, assim como ficar imaginando se alguns dos “ignorados” ainda poderiam retornar, seja em um futuro Street Fighter ou, por que não, em um novo Final Fight.

O impacto das magias facilita a nossa vitória.

A trilha sonora de Street Fighter, composta por Yoshihiro Sakaguchi, apesar de não ser a obra prima que seria apresentada em sua sequência, não deixa a desejar, ajudando na ambientação de cada adversário e motivando o jogador a vencer a partida. Os efeitos sonoros, por outro lado, aparentemente poderiam ser um pouco superiores, conseguindo ser enjoativos após algumas partidas.

Abaixo segue a trilha sonora completa de Street Fighter 1. A versão escolhida foi a de CD.

Curiosidade: Um easter egg que poucos reconhecem é a presença de Bill Cravens no cenário de Birdie. Este na verdade era vice-presidente de vendas da Capcom dos Estados Unidos em meados dos anos 80. Recentemente Bill veio a falecer em 2007, aos 65 anos.

Bill Cravens imortalizado no cenário de Birdie na Inglaterra.

Personagens

Desde o primeiro jogo da série Street Fighter vemos um empenho em criar personagens carismáticos e que exemplifiquem diferentes tipos de artes marciais existentes. Não irei abordar a motivação de todos a participarem do torneio para não me estender exageradamente aqui. Assim, escolhi apenas alguns dos lutadores do primeiro World Warriors.

Imagem com todos os personagem de Street Fighter.

  • Mike: Na infância Mike teve grandes dificuldades financeiras, o que o levou a uma vida de pequenos crimes para sobreviver. Após alguns assaltos maiores acaba preso, e na cadeia aprende a arte do boxe. Já solto, como profissional, acaba sendo banido no esporte devido ao seu comportamento no ringue. Decide entrar no torneio World Warrior para conseguir adquirir dinheiro suficiente para ajudar as crianças carentes da comunidade onde cresceu. Sua única participação se deu no primeiro Street Fighter e, aparentemente, foi descartado pelos desenvolvedores pelo fato de Balrog também ser boxeador e mais carismático.

Mike representa os pugilistas no primeiro Street Fighter.

  • Geki: Provavelmente Geki seja o personagem mais misterioso de toda a franquia Street Fighter. Não há informações sobre seu passado e acredita-se que a única razão de sua entrada no torneio foi testar suas técnicas de Ninjutsu em adversários habilidosos. Segundo consta, canonicamente acabou falecendo durante um combate na Ásia tempos após sua participação no torneio. Sua única aparição foi no primeiro Street Fighter e supõem-se que os desenvolvedores o ignoraram por não haver a necessidade de dois personagens com garras após a inclusão de Vega.

Geki foi uma atraente aposta para os faz de ninjas nos anos 80.

  • Eagle: O inglês Eagle é segurança de uma família muito rica da Inglaterra. Conhecedor do estilo de luta Bojutsu, entra no World Warrior com a missão recebida de derrotar Sagat. Apesar de sair fracassado em seu objetivo, futuramente enfrentou Guile em uma batalha, na qual saiu vencedor. Suas únicas participações foram em Street Fighter 1 e Street Fighter Alpha 3. Apesar de não ser oficialmente descrito pela Capcom, hoje Eagle é lembrado como um dos primeiros personagens homossexuais da história dos videogames.

Eagle, diferente dos demais descritos aqui acabou sendo relembrado em jogos futuros.

Curiosidade: Segundo o criador Takashi Nishiyama, a inspiração do famoso golpe hadouken veio do clássico anime Space Battleship Yamato (Patrulha Estelar), em que a nave Yamato disparava por um canhão de energia de nome Hadoho, já os nomes dos demais movimentos, como o Shoryouken, foram 100% ideias do designer.

Space Battleship Yamato.

Conclusão
Street Fighter pode não ser um título atraente para os jogares contemporâneos, mas ainda assim merece ser lembrado indefinidamente pelas contribuições geradas no mercado de consoles. Ver Ryu, Sagat e companhia quando ainda não tinham a fama vale os minutos investidos. Podem acreditar: o jogo pode divertir mais do que imaginam.
Bom
  • Grande revolução dentro do seu gênero;
  • Jogabilidade inovadora dentro de seu gênero;
  • O começo de uma das maiores franquias dos games.
Ruim
  • Baixo fator replay;
  • Jogabilidade travada para os padrões modernos.
8
Bom

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