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Por André Eduardo Ruschel em dezembro de 2018

Quando decidimos comprar um console da Nintendo, podemos ter certeza de algumas garantias. Estou falando dos jogos exclusivos de qualidade que são lançados para todos os videogames da empresa. A franquia Mario Kart certamente é um destes principais títulos. Lançado inicialmente no Super Nintendo, está fazendo sucesso desde então, não somente com a crítica, mas com as boas vendas e satisfação dos fãs. Aqui vale até mesmo destacar, desde já, que sua versão para Wii é o jogo de corrida mais vendido de todos os tempos. Caso você, leitor, também seja fã desta série, vamos analisar aqui como tudo começou no início dos anos 90, antes mesmo da invenção do casco azul. Bons tempos, aqueles.

Olhando esta imagem, a música já vem à cabeça.

Super Mario Kart é um jogo de corrida desenvolvido pela Nintendo EAD e publicado pela Nintendo em 27 de agosto de 1992, relançado em 1996 devido ao seu sucesso, e acabou recebendo uma versão para o Virtual Console do Wii em 2009. Este foi o primeiro título de uma das franquias de maior sucesso da Nintendo e da história dos Videogames.

Os bastidores da maior referência em jogos de “kart”

Super Mario Kart foi produzido por Shigeru Miyamoto (sempre ele) e dirigido por Tadashi Sugiyama e Hideki Konno. Aparentemente, o objetivo principal na produção do jogo é que ele fosse multiplayer, uma vez que, aparentemente, houve uma frustração por parte da equipe em não conseguir implementar este modo no game F-Zero, produzido anteriormente pela Nintendo. Infelizmente, devido às limitações do Super Nintendo e de seu cartucho no período, não foi possível colocarem trilhas tão bem elaboradas como as de F-Zero e que a experiência single player também teria a divisão horizontal de tela.

O que poucos sabem é que, inicialmente, o protagonista do jogo não seria Mario, e sim um simples personagem de macacão. Quando Miyamoto propôs a ideia da troca para a turma do reino do cogumelo, todos adoraram e apoiaram a mudança. Outra alteração da versão beta está no fato que inicialmente as cascas de banana seriam latas de óleo.

Tela dividida mesmo no single player, assim como em Top Gear.

O recurso do Mode 7 do Super Nintendo foi amplamente utilizado durante a programação de Super Mario Kart. Aos que não sabem, o Mode 7 é um modo de mapeamento de texturas que permite que o cenário gire e se dimensione livremente, gerando assim uma aparência pseudo-tridimensional. Outro detalhe importante está no fato que o jogo obrigou a Nintendo a usar um chip extra no cartucho, chamado DPS-1, sendo este responsável pela fluidez dos gráficos presentes no game.

Curiosidade 1: Como de costume, a Nintendo da América censurou alguns detalhes em seus jogos. No caso de Super Mario Kart, foi a comemoração de alguns personagens que bebiam a garrafa de champagne enquanto estavam no pódio. Nas versões lançadas fora do Japão, eles apenas arremessam a garrafa para cima.

Comemoração original japonesa e a ocidental.

Análise técnica

A Nintendo costuma fazer algo interessante que em regra dá bastante sucesso: escolhe um gênero entre vários do mercado e o transforma colocando a sua cara, com muitos acréscimos originais e muita, realmente muita diversão. Podemos dar vários exemplos desta estratégia, desde sua franquia de Kart, Pikmin e Smash Bros. até o mais recente Splatoon. Super Mario Kart trouxe uma mecânica inovadora e fácil de ser entendida pelos jogadores, fórmula esta que já foi – e ainda é – copiada incansavelmente pelos concorrentes. Chegamos até mesmo a ter a convicção de que se um mascote faz sucesso, em breve ele terá um jogo de kart aos moldes de Mario. Como exemplo de séries que tiveram títulos neste estilo, podemos citar: Sonic, Little Big Planet e Crash Bandicoot. Sem dúvidas, Super Mario Kart foi mais uma das incríveis ideia revolucionárias oriundas de Shigeru Miyamoto e sua equipe.

A principal diferença entre um jogo da franquia Mario Kart e qualquer outro de corrida convencional está na utilização dos itens especiais que encontramos durante as corridas. Estas habilidades extras possuem a função de melhorar os atributos de nossos personagens, como no caso da estrela, ou atrasar o desempenho dos adversários, como no caso dos cascos de tartaruga.

Estes são os oito itens que utilizamos nas corridas do primeiro Mario Kart. Obs: esta foi a primeira e última vez que a pena esteve presente em um jogo desta franquia.

A jogabilidade responde bem aos comandos, levando apenas algum tempo para os jogadores se acostumarem a fazer as curvas fechadas, já presentes neste primeiro game da franquia. Para realizá-las com perfeição é necessário conhecer bem o “drift”, derrapagem que realizamos ao manter segurado o botão de pulo após o salto.

Outra particularidade da jogabilidade da franquia Mario Kart está em saber o momento exato de apertar o acelerador na largada. Caso consiga aprender isto, será como se seu personagem já estivesse começando com um turbo extra, deixando para trás os adversários.

A eterna busca pela largada perfeita.

As moedas são uma característica importante neste primeiro jogo da franquia. A quantidade que começamos dependerá de nossa posição na largada. Os 8º e 7º colocados começam com 5 moedas, 6º e 5º com 4, 4º e 3º com 3 e 2º e 1º com duas. As moedas são perdidas caso haja contato com outros corredores, se formos atingidos por um item ou resgatados de fora da pista pelo Lakitu. Nestas situações perdemos 1, 4 e 2 moedas, respectivamente. Se chegar a acontecer de ficarmos com o saldo no zero, nosso carro sofre rodopios quando entra em contato com inimigos. Novas moedas são adquiridas no percurso e pelo item específico para isto. Aqui fica uma dica: caso consiga adquirir mais de 10 moedas em seu estoque, seu carro passará a ter acréscimos em seus atributos, como velocidade final, aceleração e outros.

No modo campanha, devemos superar quatro torneios, sendo que o último (Special Cup) somente é liberado nas dificuldades 100cc e 150cc, caso o jogador conquiste os troféus de ouro nas três primeiras competições. Por falar nisto, a dificuldade é razoavelmente grande para os padrões dos jogos atuais, sendo, aos meus olhos, o mais difícil da franquia Mario Kart, não estando presentes os futuros itens milagrosos que nos fazem pular várias posições durante uma corrida. Ainda neste primeiro jogo, temos as vidas que são perdidas caso não pontuemos nas pistas. Felizmente, esta opção foi removida nas sequências da série.

Lakitu nos resgatando pelo preço de 2 moedas. Até que é barato.

Os gráficos são simples, mas bonitos e coloridos, utilizando os efeitos do Mode 7 do Super Nintendo durante as corridas. A tela, infelizmente, é dividida mesmo na opção single player. Quando jogado neste modo, podemos optar para que a tela inferior mostre detalhes como o mapa da pista ou o retrovisor.

A trilha sonora, apesar de não ser tão revolucionária como de outros jogos da empresa, é muito boa, combinando perfeitamente com os cenários a que pertencem. Alegres nas pistas do Mario, sombrias nas casas mal-assombradas e festivas nas praias. Créditos para a dupla Taro Bando, responsável pelos efeitos sonoros, e Soyo Koda, pelas canções. O fator replay também é muito bom, principalmente pela diversão de se jogar com um amigo nos modos para dois jogadores.

Pistas escorregadias no gelo não poderiam faltar nos anos 90.

Um dos destaques, certamente, está no fato de se poder jogar em multiplayer. Assim como eu disse em minha análise de Top Gear, lançado no mesmo ano de Super Mario Kart, vários dos melhores jogos de corrida da época não possuíam a possibilidade de se jogar com um amigo, como nos casos de OutRun, F-Zero e Super Monaco GP (versão de Mega Drive). Na franquia Mario Kart isto ainda parece ser mais relevante, pois grande parte da diversão está na possibilidade de fazer o adversário da poltrona ao lado girar com um casco de tartaruga ou uma casca de banana.

Os percursos do jogo são baseados nos mundos de Super Mario World, então os fãs da franquia se sentem em casa, percorrendo cenários como Ghost Valley, Bowser Castle e Choco Island.

Abaixo, vemos a trilha sonora completa de Super Mario Kart.

Curiosidade 2: Em 2009, o livro dos Records, Guinness Book, resolveu fazer uma lista com os 50 jogos mais influentes de todos os tempos e Super Mario Kart ficou em primeiro lugar. Segundo eles: “Super Mario Kart de Super Nintendo, tem a maior influência sobre os jogos do futuro e deve ser considerado o mais importante da história dos videogames”. Por mais exagerada que esta afirmação possa ser, é importante ressaltar este reconhecimento que o jogo recebeu desta reconhecida premiação. Caso esteja curioso, os segundo e terceiro lugares foram Tetris e Grand Thieft Auto, respectivamente.

Os pilotos de Super Mario Kart

Os concorrentes ao pódio do jogo vêm da franquia Super Mario, exceto Donkey Kong Jr. Para facilitar a escolha do personagens, os mesmos são divididos em quatro classes, aqui representados nas quatro colunas da tela de seleção.

Os pilotos se dividem em quatro categorias, aqui simbolizados em quatro colunas.

Os medianos em todos atributos:

  • Mario: O protagonista da Nintendo possui o kart mais mediano entre todos os disponíveis para escolha, não se destacando em qualquer habilidade. Quando controlado pela máquina, possui o poder da estrela por tempo limitado;
  • Luigi: Muito semelhante ao Mario, aparentemente possui apenas um melhor desempenho nas curvas e uma menor velocidade máxima quando comparado ao seu irmão. Assim como o protagonista, possui a habilidade da estrela quando controlado pelo console.

Os que possuem a melhor aceleração:

  • Peach: Com grande destaque na aceleração de seu carro, é bastante indicada para os iniciantes em Mario Kart. Sua habilidade quando confrontada pela máquina é atirar cogumelos que nos deixam menores caso sejamos atingidos;
  • Yoshi: Muito semelhante aos atributos de Peach, não possui maiores detalhes a serem ditos. Quando enfrentado nas corridas, atira ovos que nos fazem rodar.

Uma das raras pontes em bom estado do jogo.

Os karts com maior velocidade máxima:

  • Bowser: O mais pesado dos competidores passa como um trator batendo em seus adversários. Sua baixa aceleração faz com que seja recomendado para jogadores mais experientes. Quando controlado pela máquina, utiliza bolas de fogo bastante impertinentes;
  • Donkey Kong Jr: Personagem com a melhor velocidade máxima entre os competidores, sendo difícil fazer curvas com ele. Deixa cascas de banana na pista quando o enfrentamos.

Aqueles com a melhor dirigibilidade:

  • Koopa Troopa: É o personagem com melhor controle de curvas entre os disponíveis, também sendo bastante recomendável para iniciantes. Arremessa cascos verdes quando controlado pela máquina;
  • Toad: Semelhante ao Koopa Troopa, possui um controle um pouco inferior, compensado por uma aceleração maior. Assim como a Peach, deixa cogumelos na pista.

Quem faz uma pista sobre tubulações expostas desta forma?

Curiosidade 3: Já há alguns anos existe um passeio de kart nas ruas de Tóquio em que pessoas alugam estes automóveis junto de fantasias de personagens da turma do Mario. No Japão, ao contrario da maioria dos países, é permitido a circulação destes veículos nas vias junto de automóveis de passeio. Só espero não ficarem largando cascas de banana pelo caminho.

Os itens “Trapaceiros”

De todas inovações que a franquia Mario Kart trouxe aos videogames, sem dúvidas a presença dos power-ups que encontramos nos percursos é a mais relevante. Neste primeiro jogo da franquia, os adquirimos quando passamos sobre pontos de interrogação desenhados na pista. A qualidade do item recebido se dá de forma aleatória, porém, há uma probabilidade maior de receber os melhores caso estejamos entre os últimos colocados.

Pontos de interrogação no solo. Cuidado para não desviar.

  • Green Shell (casco verde): É um disparo em linha reta. Caso acerte alguém, este irá rodar e perder um tempo significativo até recuperar a velocidade. Cuidado, pois ele rebate em paredes ocasionando muitas vezes danos em quem o disparou;
  • Red Shell (casco vermelho): Possui os mesmos efeitos do casco verde, porém, são teleguiados. Neste primeiro jogo ele é bastante limitado, sendo inútil usá-lo caso o inimigo esteja a uma grande distância ou curta demais;
  • Feather (pena): Quando utilizado, o carro dá um pulo. Serve para ser utilizado em frente a obstáculos e ter acesso a atalhos;
  • Mushroom (cogumelo): Bom e clássico turbo. Basta escolher o momento certo para fazer ultrapassagens e cortar caminhos;

  • Coins (moedas): este item vale duas moedas. Obs: Neste primeiro jogo, os adversários controlados pela máquina não as pegam, apenas os jogadores;
  • Banana Peel (casca de banana): colocamos ela na pista para que os adversários escorreguem nelas, infelizmente muitas vezes somos nós que caímos nelas na volta seguinte da pista. “Quem nunca, não é mesmo?”;
  • Star (estrela): Melhor item do jogo. Com ele, temos maior velocidade, invencibilidade e não perdemos aceleração em terrenos fora da pista. É ótimo para cortar caminho;
  • Lightning Bolt (trovão): Todos são atingidos por este power-up, exceto aquele que o dispara. Seu efeito consiste em diminuir o tamanho e a velocidade dos competidores, permitindo que aquele que o utilizou atropele os demais.

Obs: Nos modos Battle Mode e Match Race, existe ainda o item Ghost (fantasma) que deixa o jogador invisível e permite pegar os itens do adversário.

Curiosidade 4: Super Mario Kart foi um grande sucesso de críticas e vendas já na sua estreia, atingindo a marca de incríveis 8.76 milhões de unidades vendidas apenas em sua versão original para Super Nintendo, ocupando o 4º lugar entre os jogos mais vendidos do console.

Os modos de jogo

  • Mario Kart GP: É modo principal do jogo, podendo ser considerado sua campanha. Se divide nas modalidades 50cc, 100cc e 150cc, simbolizando as dificuldades fácil, médio e difícil, respectivamente. As diferenças entre as cilindradas não está apenas no potencial competitivo dos adversários, mas também na velocidade máxima que eles atingem. Neste primeiro jogo da franquia, as corridas possuem 5 voltas e o jogador tem limite de vidas. Estas são descontadas caso fiquemos abaixo da quarta colocação entre os 8 competidores.
  • Match Race: modo unicamente para dois jogadores em que vence aquele que completar 5 voltas primeiro, devido ao fato de não haverem mais competidores, novos obstáculos são adicionados no percurso;

A solidão do Time Trial.

  • Time Trial: clássico modo single player em que o jogador busca pelo seu tempo recorde;
  • Battle Mode: A famosa batalha de balões já estava presente desde o primeiro jogo da franquia. Aqui, a partida se passa dentro de arenas, e vence aquele que acertar o adversário três vezes primeiro. Nossa energia é simbolizada por balões presos em nossos karts.

A famosa batalha dos balões.

Os percursos de Mario Kart

Como dito anteriormente, o torneio de Super Mario Kart aparentemente se passa em algum lugar do mundo de Super Mario World. Este retorno a um jogo que praticamente todos gostavam já ajudava a fazer deste novo título memorável.

Os percursos da franquia Mario Kart fogem bastante do convencional, possuindo demarcações diferenciadas, como águas, buracos, precipícios e outros. No decorrer das pistas, vemos objetos que nos atrapalham. Eles podem ser inanimados, como os canos, ou animados, como as toupeiras.

Em várias pistas, temos a presença de atalhos e possibilidades de cortar caminhos. Estas vantagens geralmente são acessadas com a ajuda dos itens especiais, principalmente o “turbo” e a estrela.

As curvas, inicialmente, são grandes e abertas, mas logo já aparecem as de 90º que exigem algum tempo para nos acostumarmos.

Os acostamentos possuem barreiras em algumas pistas, porém, em outras não, o que facilita cairmos da pista e assim perder moedas e um tempo precioso. Quem lembra da última pista Rainbow Road e suas quedas fáceis?

Alguns trajetos possuem “zippers” no solo. Estes desenhos em forma de “V” permitem que os corredores adquiram um forte turbo que muita vezes nos fazem ganhar posições. Outros percursos também possuem pequenos “quebra-molas” que nos fazem dar pequenos pulos. Ter um domínio sobre tudo isso é mais importante do que receber bons itens durante a partida. Todas estas características fazem de Super Mario Kart um dos jogos mais técnicos e competitivos do Super Nintendo.

Nossa conclusão

Não é nenhum exagero concluir que Super Mario Kart foi o primeiro jogo de um subgênero dentro do gênero corrida. Este game trouxe uma parcela de estratégia até então inédita, em um tempo que apenas a habilidade era avaliada nestes jogos competitivos. O próprio “drift” passou a ser difundido nos jogos de corrida após 1992. É desnecessário aqui divulgar tops de melhores jogos de todos os tempos em que este título marca presença. A própria quantidade de clones que o game possui demonstra seu sucesso. Caso você nunca tenha jogado Mario Kart, se é que isto é possível, procure dar esta oportunidade. Quem sabe isto faça até você avaliar os jogos de corrida com outros olhos a partir de então.

Avaliação: 9.5

Jogado no Super Nintendo.

9.5
Incrível

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