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Por André Eduardo Ruschel em abril de 2019

Nos anos 80 Super Mario Bros. foi, sem dúvidas, uma cartilha de como os jogos de plataforma deveriam ser a partir daquele momento; seu legado é sentido até os dias de hoje e a Nintendo sempre soube aproveitá-lo devidamente. O Wii U tinha as ferramentas perfeitas para um criador de fases com o GamePad e somando com o sucesso recente de LittleBigPlanet, alguns já imaginavam que algo do tipo seria aproveitado pelas grandes empresas. Ironicamente, Shigeru Miyamoto não participou ativamente do processo de criação de Super Mario Maker, mas todos que o jogaram puderam sentir o prazer de, fantasticamente, fazer parte de sua equipe.

A liberdade criativa é o grande atrativo em Super Mario Maker.

Super Mario Maker é um jogo de plataforma e editor de fases lançado inicialmente para Wii U no ano de 2015, sendo que posteriormente foi convertido para 3DS no ano de 2016. A versão avaliada nesta análise trata-se da primeira, lançada para o console de mesa da Nintendo.

Abaixo vemos o trailer de Super Mario Maker divulgado ao público durante a E3 de 2015

Devido ao fato de Super Mario Maker ser um jogo enorme em conteúdo e possibilidades, a Nintendo divulgou vídeos que ajudassem os jogadores a romper seu bloqueio criativo. Abaixo segue exemplo.

Curiosidade: O sucesso de Super Mario Maker se deu quase instantaneamente junto ao público, sendo um sucesso de vendas, mesmo em um console que não foi tão popular. Este título é o 7º colocado entre os mais vendidos do Wii U, com 3,45 milhões de unidades comercializadas. Não precisava ser um gênio para prever que o game receberia uma sequência, não é mesmo?

Bastidores de Super Mario Maker

Tudo começou quando funcionários da Nintendo perceberam que um programa desenvolvido por eles para criar fases de jogos tinha um real potencial para ser aproveitado pelo público; este projeto foi encaminhado, então, para Takashi Tezuka, que tinha sérios planos de fazer uma continuação do game Mario Paint para o Wii U, utilizando as vantagens de jogabilidade fornecidas pelo GamePad.

Quem jogou Super Mario Bros 3 sabe a precisão necessária para passar por esta parte.

Ocorreu que, Takashi Tezuka, logo percebeu que utilizar aquela ferramenta de trabalho para criar um “fazedor” de fases com a temática do mundo do Mario seria muito mais rentável para a empresa do que dar seguimento em uma sequência de Mario Paint. Após os primeiros testes, Tesuka buscou levar a diversão de seu jogo de artes para o editor de fases e designou Yosuke Oshino como diretor deste projeto. No ano de 2014 a Nintendo divulgou ao público estar desenvolvendo o título, que na época era chamado apenas de Mario Maker.

Curiosidade: O sucesso de Super Mario Maker não se deu apenas em suas vendas e com o público, mas também com a crítica especializada. A maioria dos sites deram notas em torno de 9/10, incluindo algumas 9.5, como no caso da EGM e Polygon. Estas aprovações levaram o game até mesmo a concorrer ao Melhor do Ano no The Game Awards de 2015, título que perdeu para The Witcher 3. Na ocasião levou para casa o prêmio de melhor jogo para família.

Análise Técnica

A essência de Super Mario Maker está na criação e compartilhamento das fases através do uso do controle GamePad. Na base destes levels, podemos escolher quatro estilos de jogos da franquia 2D: Super Mario Bros., Super Mario Bros 3, Super Mario World e New Super Mario Bros. U. As mudanças entre estas escolhas vão muito além das gráficas: como movimentos específicos, power-ups e determinados elementos dos cenários. Vale dizer aqui que muito foi adicionado, como a presenças inéditas de inimigos, veículos e estruturas de fases.

Entre as várias novidades incluídas no universo Super Mario, estão as possibilidades de fazermos pirâmides de inimigos, uns sobre os outros, assim como colocá-los dentro dos famosos blocos com pontos de interrogação. A nave de Bowser pode ser usada como veículo, assim como há uma versão em que ela dispara fogo; alguns cascos podem servir de capacete para o protagonista, deixando-o invulnerável a ataques vindos de cima; inimigos que não voavam originalmente podem fazê-lo, assim como os conhecidos canhões podem disparar moedas ou até mesmo outros oponentes. Sem dúvidas o limite da criação está por parte do criador, ferramentas não faltam para quem tem criatividade e vontade de produzir.

O editor de fases pode assustar em um primeiro momento, mas logo nos acostumamos.

O processo de criação pode ser um pouco complexo e desmotivador no início, mas há acesso a um manual interno com diversas dicas, além de fases originais feitas com o objetivo de, realmente, quebrar o bloqueio criativo que algumas pessoas podem ter durante o gameplay. Vale a pena jogarmos as etapas sempre prestando atenção para, assim, elaborarmos algo igualmente divertido.

Os itens disponíveis para a criação das fases nos são fornecidos lentamente, conforme os utilizamos nas fases que criamos e na passagem do tempo real. Isto pode ser frustrante para alguns jogadores, mas vale a pena esperar e nos esforçarmos para elaborar os melhores levels com as ferramentas que possuímos até aquele momento.

Elementos inéditos, como veículo de Bowser capaz de disparar fogo, fazem parte das novidades da franquia.

É interessante como este jogo nos transmite a sensação de ser um designer de fases em jogos de plataforma. Você, caso ainda não tenha jogado, vai sentir a experiência de como é sensível os elementos que colocamos no cenário. A “fronteira” entre uma fase fácil e uma difícil é bastante tênue, assim como diversão pode se tornar cansativa caso os mesmos elementos sejam usados em excesso ou de forma errada. Super Mario Maker foi realmente mais uma aula de level design feita pela Nintendo para seu público.

Um grande destaque em Super Mario Maker está em sua sociabilização, uma vez que o jogo constantemente avisa que pessoas estão jogando nossas fases e as estrelas que recebemos delas. Estas estrelas são um tipo de parabéns que damos para as pessoas que fazem levels que consideramos divertidos e que merecem ser conhecidos. Outro destaque estava no fato de podermos deixar um recado ou desenhos, inclusive em trechos específicos das fases, o que fazia deste título quase uma rede social do Super Mario. Infelizmente os recados não podem mais ser publicados devido ao fato do Miiverse já ter saído do ar.

A jogabilidade é ótima, respondendo bem aos comandos do jogador e honrando o nome da franquia que o game leva em seu título. O interessante aqui são os diferentes tipos de jogabilidades existentes de acordo com o tipo de fase jogado. Ou seja, temos wall jump apenas em New Super Mario U, Tanooki Suit apenas em Super Mario Bros 3 e a capacidade de caminhar sobre os espinhos com Yoshi em Super Mario World. Tudo deve ser levado em conta para elaborarmos as etapas mais divertidas possíveis.

Pessoas são ranqueadas pelo sucesso das fases.

A dificuldade do jogo é bem relativa, pois vai depender bastante do estilo de seu criador. Infelizmente, aqui vemos algumas fases injustamente difíceis, em que realmente precisamos descobrir o truque correto para conseguir concluí-las corretamente.

Os gráficos são aqueles que todos conhecemos, sendo fiéis aos estilos 8-16 bits e modernos. Não há maiores reclamações aqui, tudo funciona bem e com poucos bugs.

Os itens disponíveis para fazermos as fases são disponibilizados gradualmente.

Um dos tipos de fases mais complexos e dignos de serem parabenizados, são as musicais. Há blocos que emitem diferentes notas de acordo com a altura e o tipo de objetos que caem sobre eles. São verdadeiras obras primas no catálogo do jogo e vale uma pesquisa para ver o que alguns criadores são capazes de fazer, simplesmente lindo.

Um dos fatores bem criativos no jogo são as skins de diversos personagens do universo da Nintendo e de fora dele. No jogo eles são chamados de Mystery Mushroom e são adquiridos através do uso de amiibos ou pelo modo de jogo chamado 100-10 Mario Challenge, em que jogamos fases aleatórias do jogo com dificuldade ajustável. Caso superarmos o desafio antes de perder 100-10 vidas receberemos uma skin como prêmio. O interessante é que a comunidade, sendo muito criativa, fez fases com temáticas ligadas a estas artes, como um level de fogo para quando controlarmos o Charmander de Pokemon, por exemplo.

Skins de diversos personagens

O fator replay é o maior destaque do jogo, sem sombra de dúvidas, pois a comunidade do título é fortemente ativa até os dias de hoje, de forma que sempre que retornamos para o game acabamos tendo uma experiência diferente. Para aqueles que não possuem dinheiro para investir em muitos jogos, Super Mario Maker é uma ótima dica de compra.

A trilha sonora é a de Super Mario, o que é ótimo, mas sem maiores novidades. Já os efeitos sonoros, além dos clássicos da franquia, temos vários customizáveis, inclusive com mudanças visuais nos cenários quando são ativados, elemento este que ajuda a aumentar a personalidade das fases criadas.

Abaixo vemos a soundtrack completa de Super Mario Maker.

Curiosidade: Como virou costume nos jogos da Nintendo, os títulos recebem Amiibos, bonecos vendidos separadamente que possuem uma função semelhante a pequenas DLCs. No caso de Super Mario Maker, o jogo era compatível com quase todos Amiibos, sendo que estes davam skins de diversos personagens do universo Nintendo e também fora dele. Para o game não ficar de fora, também recebeu um exclusivo que gerava um grande cogumelo no jogo e também deixava os inimigos com bigodes.

Abaixo Vemos o trailer de Super Mario Maker 2 anunciado para ser lançado no Switch em 28 de junho de 2019. Pelas imagens vemos várias novidades para a franquia, inclusive a presença do solo inclinado, muito requerido nas atualizações do primeiro jogo.

Curiosidade: Caso pensa que apenas você gosta de bancar ser Shigeru Miyamoto, fique sabendo que muitos produtores famosos da indústria dos games também gostaram da ideia. Aqui vou indicar 3 fases criadas por 3 grandes nomes. Vejam se eles conseguem fazer algo tão divertido quanto esperamos: Markus Mansson, criador de SteamWorld Dig – 7A48-0000-0052-9CF0; Michael Herbster (Shovel Knight) – 768A-0000-00D4-D0D6; Koji Igarashi (Castlevania) – C392-0000-003D-3672. Boa diversão.

Jogado no Wii U

Conclusão
Todo console da Nintedo trás novas propriedades intelectuais e esta foi mais uma daquelas que acertou em cheio no gosto do público e da crítica. Fortemente ativa até os dias de hoje e com sua rede online de forma gratuita para os donos de Wii U, vale sempre ser revisitado para alguns minutos de diversão. Super Mario Maker cumpre exatamente o que diz em seu slogan: "Qualquer um pode criar. Todos podem jogar".
Bom
  • Fator replay praticamente infinito;
  • Ser uma rede social interativa do Super Mario;
  • Fazer um jogo do Mario conforme a sua vontade.
Ruim
  • Algumas pessoas podem não se adaptar ao processo de desenvolvimento de fases.
9
Incrível

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