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Por André Eduardo Ruschel à Epic Play —

Uncharted: Drake’s Fortune surgiu em um bom momento na biblioteca do Playstation 3. O console de mesa da Sony, na sétima geração, estava com dificuldades de se firmar definitivamente no mercado devido ao seu principal concorrente da época, Xbox 360, ter sido lançado com uma grande vantagem de tempo e a Nintendo que, após as vendas razoáveis do Gamecube, agora estava novamente em evidência como imenso sucesso do Wii. Uncharted apareceu neste momento, em que havia um mercado com grande concorrência e começou a mostrar para os consumidores que possuir um Playstation 3 valeria a pena pelos exclusivos que estavam por vir.

Personagens carismáticos estão presentes no universo de Uncharted.

Uncharted: Drake’s Fortune é um jogo de Ação TPS (tiro em terceira pessoa) lançado em 2007 para Playstation 3, sendo desenvolvido pela Naughty Dog e publicado pela Sony Computer Entertainment. Em 2015 foi remasterizado para Playstation 4 na coletânea Natan Drake Collection. Aqui estamos analisando sua versão original.

Abaixo segue o trailer de Uncharted: Drake’s Fortune.

Curiosidade: A franquia Uncharted se demonstrou um grande sucesso, não somente de crítica, mas também de público já na sua estreia. Somando cerca de 5 milhões de unidades vendidas, o que impressiona não apenas por ser um título estreante, mas também exclusivo de uma plataforma que ainda estava batalhando para conquistar seu espaço no concorrido mercado da sétima geração de consoles.

Bastidores

Após o desenvolvimento do jogo Jak 3, a cúpula da Naughty Dog acreditou que estava na hora de fazer um título mais realista e que usasse de forma satisfatória o hardware da nova máquina da Sony, o Playstation 3. Para concluir este objetivo, chamou seus funcionários, reconhecidos como os mais talentosos da empresa até aquele momento, e começaram a desenvolver um título sob nome provisório Big. Uma das principais influências deste jogo que viria a ser Uncharted eram, obviamente, os filmes de Indiana Jones, cheios de ação e repleto de belas paisagens para uma rica ambientação, que não seria mais limitada pelos antigos hardwares.

O roteiro consegue prender o jogador de forma viciante.

A primeira aparição ao público de Drake’s Fortune se deu durante a E3 de 2006 e, assim como esperado, não faltaram comparações com a consagrada franquia Tomb Raider, inclusive sendo Uncharted apelidado no evento de ‘Dude Raider’. Apesar dos desenvolvedores não negarem a influência de Lara Croft, afirmaram que outros jogos também colaboraram na criação, como Resident Evil 4, Gears of War e o hoje, pouco lembrado, Kill Switch. Porém, o desejo era de que tivesse uma grande diferença, ao contrario de suas referências que abusavam de cenários sombrios, Drake’s Fortune precisava ter uma ambientação vibrante e viva.

A riqueza de detalhes impressiona para um título de lançamento de um console.

Para o processo de formação dos personagens, o objetivo era que o estilo utilizado fosse o foto-realista e que seu protagonista deveria ser de fácil identificação por parte dos jogadores, indo contra o conceito de um musculoso enorme segurando uma arma gigante. A ideia era de alguém engenhoso que resolvesse os conflitos sempre na margem de suas habilidades. A presença dos personagens secundários, Elena Fisher e Victor Sullivan, foram acrescentados para contribuir com uma narrativa mais envolvente (o que sabemos que a Naughty Dog viria a ser referência em seu futuro The Last of Us).

Curiosidade: Apesar de Uncharted: Drake’s Fortune ser o primeiro jogo lançado oficialmente da série, seu enredo não trás a origem relatada no universo da franquia. De forma que o título de PS Vita Uncharted: Golden Abyss e os quadrinhos Eye of Indra narram eventos ocorridos antes do jogo de 2007.

Enredo

A seguir vamos ver uma breve introdução ao jogo Uncharted: Drake’s Fortune, de forma que não haverá spoilers significantes o suficiente para estragar a experiência daquele que ainda não jogou este incrível game.

O protagonista Nathan Drake possui um anel, herança de sua família, que possui as coordenadas capazes de levar ao túmulo de seu importante antepassado, Sir Francis Drake. Infelizmente, o ponto em que deveria ser encontrado estava em pleno oceano, na costa do Panamá. Devido ao fato de Nathan não ter condições financeiras para bancar tal expedição, entra em contato com uma rede de TV, para conseguir patrocínio. O canal de comunicação, vendo a possibilidade de conseguir uma grande matéria, envia a repórter Helena Fisher junto de um barco.

O diário de Drake ajuda na resolução de quebra-cabeças.

Nathan Drake, junto de seu grande amigo e mentor, Victor ‘Sully’ Sullivan, e Helena Fisher, conseguem encontrar o túmulo de Francis, porém, assim como já era esperado por Nathan, ele estava vazio, exceto pela presença de um pequeno diário que supostamente possui a localização do El Dorado. Um “local” lendário cobiçado pelos espanhóis em que haveria muito ouro da época colonial.

Assim que Nathan põe as mãos no diário, piratas panamenhos surgem e começa o jogo. No decorrer da aventura vilões, em busca do tesouro, surgem para dificultar o objetivo dos protagonistas, como os mercenários Atoq Navarro e Gabriel Roman.

Cenas de perseguição no melhor estilo Indiana Jones não poderiam faltar.

Curiosidade: O personagem que supostamente é um antepassado de Nathan, Sir. Francis Drake, realmente existiu. O mesmo foi um capitão, vice-almirante, corsário (um tipo de pirata com carteira assinada), navegador e político. Foi condecorado pela Rainha Isabel I da Inglaterra com o título de cavaleiro em 1581. Era temido pelos espanhóis e conhecido como El Drake (“Francis the Dragon”). Entre seus feitos estão: Ser o segundo no comando na batalha contra a invencível armada em 1588; ser o primeiro inglês a efetuar uma volta ao mundo e ter a cabeça a prêmio pelo rei espanhol Felipe II, sob a recompensa de 4 milhões de libras. Infelizmente seu fim não foi dos mais honrosos, falecendo de disenteria (caganeira para os mais íntimos) em 1596, aos 55 anos.

Sir. Francis Drake

Análise Técnica

A narrativa em Uncharted gira em torno de seu protagonista, Nathan Drake, e em seus parceiros de aventuras Victor ‘Sully’ Sullivan, e Helena Fisher. Apesar de aparentemente simples, o bom humor presente no enredo nos faz ter vontade de continuar jogando, mesmo muitas vezes sendo piadas pouco inspiradas, o carisma dos personagens cria a curiosidade de saber como a trama irá acabar. Em determinadas partes da jornada acabamos encontrando quebra-cabeças, porém, todos são fáceis, exigindo um mínimo de raciocínio por parte dos jogadores, ainda assim, caso tenha dificuldades, o jogo oferece dicas caso perceba que estamos empacados.

Os quebra-cabeças estão presentes na franquia. São intuitivos e não atrapalham a ação intensa.

A dificuldade, assim como na maioria dos jogos do estilo produzidos atualmente, é bastante fácil, bastando que o jogador se acostume com as mecânicas básicas de pulo, tiro, e saiba resolver os quebra-cabeças. A experiência, de um modo geral, acaba sendo ininterrupta por este motivo.

Personagens menores como Sully somam bastante o conteúdo do jogo.

A jogabilidade em Uncharted é bastante fácil e satisfatória, apesar de que os veteranos na franquia sabem o quanto ela melhorou nos episódios seguintes desta saga. Os combates possuem o clássico sistema de cover que veio diretamente de Gears of War, assim como a regeneração do “life” bastando ficar um tempo sem sofrer danos (recover). O combate corpo-a-corpo, apesar de ainda primitivo neste primeiro título, resolve quando estamos próximos dos inimigos e queremos economizar as balas.

Os momentos de plataforma são bastante fáceis.

Os seguimentos de plataforma lembram um pouco Assassin’s Creed, sem necessidade de muita preocupação e precisão na hora de darmos saltos aparentemente bastante perigosos. Durante os tiroteios, além das granadas, podemos carregar apenas duas armas, uma de pequeno porte e outra de grande porte. O interessante é que apesar disto aparentemente apresentar uma limitação de inventário, na prática acaba colaborando para garantir um gameplay nada repetitivo, já que ficamos constantemente trocando de armamentos, uma experiência semelhante a que vimos em Zelda: Breath of the Wild.

A diversão do jogo é enorme, de forma que o nível de dificuldade tranquilo, enredo simples, porém envolvente, personagens carismáticos e ambientação incrível nos mantém entretidos até os créditos do game. A sensação é como se estivéssemos, realmente, no controle de um bom filme de ação da década de 80 ou 90. Não é difícil encontrar alguém que depois de terminar o primeiro jogo da série, tenha feito uma maratona Uncharted.

Momentos de jogabilidade variada, como a do jet ski ajudam a não deixar o game repetitivo.

O tempo de campanha é um tanto curto, sendo que a experiência girará em torno de 8 horas quando jogado pela primeira vez, isto se o jogador explorar o ambiente algumas vezes, morrer durante os combates e em quedas de abismos.

Coisas inesperadas surgem na reta final do jogo.

O fator replay do jogo é baixo, já que, como de costume nos títulos da Naughty Dog, os games são muito lineares, com enredos que se aproximam de um bom filme de ação. Apesar disto, é possível que aqueles que já o tenham terminado queiram jogar mais uma partida em um futuro não muito distante. Não apenas devido ao fato do game ser bastante divertido, como também para ir em busca de todos troféus e colecionáveis escondidos durante a campanha.

Colecionáveis contribuem para o fator replay da franquia.

Resumindo em apenas uma palavra, a trilha sonora de Uncharted, seria épica. O clima de aventura já surge com o tema da tela título do jogo (Nate’s Theme), o que nos dá a motivação necessária para começar uma partida, mas não sem antes ouvir a trilha dar uns três loops. O músico responsável chama-se Greg Edmonson e já havia trabalhado, anteriormente, compondo para séries, como Firefly. Abaixo segue a OST completa de Drake’s Fortune.

Abaixo vemos o “PlayStation in Concert no Royal Albert Hall” em Londres, no dia 30 de maio de 2018. A performance foi executada pela Orquestra Filarmônica Real e podemos ver, claramente, a empolgação da plateia quando o tema principal da franquia, Nate’s Theme, é anunciado. Incrível.

Curiosidade: O sucesso de Drake’s Fortune garantiu quase imediatamente uma sequência para a franquia. Uncharted 2: Among Thieves chegou ao mercado em 2009 e consagrou a série definitivamente na indústria dos games, sendo um sucesso maior que seu antecessor de todas formas possíveis. Provavelmente ainda receberá uma análise completa aqui na Epic Play. Abaixo segue o trailer da sequência.

Jogado no Playstation 3.

Conclusão
A Naughty Dog sempre foi um braço importante para o sucesso dos consoles da Sony, mostrando seu valor desde Crash Bandicoot no Playstation 1. Porém, com Uncharted, seu valor foi posto a prova de forma definitiva, já que a Sony necessitava mostrar ao seu público que seria capaz de gerar um conteúdo exclusivo de qualidade suficiente para que sua nova plataforma, Playstation 3, pudesse ser escolhida pelo consumidor, mesmo se o mesmo já tivesse adquirido um Xbox 360 ou Nintendo Wii. Podemos dizer, assim, que Uncharted conseguiu cumprir com este objetivo e a partir de então pode elevar o nome de seus desenvolvedores a um posto equivalente a empresas como a Rockstar, em que basta vermos um símbolo para já sabermos que o conteúdo será de qualidade.
Bom
  • Trilha sonora épica;
  • Diversão garantida;
  • Jogabilidade de fácil aprendizado.
Ruim
  • Baixo fator replay.
9
Incrível

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